Sindicatos ameaçam 'operação tartaruga' hoje

RIO

Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2010 | 00h00

Os sindicatos que representam os trabalhadores que atuam no setor de transporte aéreo anunciaram para hoje uma "operação de não-colaboração" como forma de pressionar as companhias por reajuste e por melhores condições de trabalho. Na prática, aeronautas (comissários e pilotos) e aeroviários (profissionais que atuam em solo) decidiram seguir estritamente as regras de seus manuais, sem acelerar procedimentos, para minimizar a sobrecarga provocada pelo aumento de demanda nesta época do ano. A perspectiva é de que haja atrasos nos voos.

"Não fazíamos voos inseguros, mas acelerávamos processos", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Gelson Fochesato. Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, entre os itens previstos na "operação de não-colaboração" está a recusa dos aeroviários de fazer hora extra e dobrar escala. Outro ponto prevê que os trabalhadores não deixem de utilizar o tempo para lanche ou almoço. A operação prevê também que os profissionais de check-in não aceitem mudanças de escala em cima da hora.

Embora a perspectiva de demora para cada voo seja de alguns minutos em função da operação, os sindicatos estimam que, ao final de um dia, uma aeronave poderá acumular até duas horas de atraso. O tempo das aeronaves em solo durante conexões, em média de 20 minutos, pode até mesmo dobrar, afirmam as entidades.

Selma estima que nem todos os trabalhadores vão aderir à operação. "Não é uma unanimidade, mas acredito que de 60% a 70% dos trabalhadores apoiarão", disse ela.

A decisão foi tomada depois que uma reunião para negociar reajustes para as categorias terminou sem avanços. A operação deve durar até 8 de dezembro, quando está prevista nova reunião. Aeronautas e aeroviários buscam reajuste de 30% sobre o piso e de 15% para os que recebem acima disso. O negociador representante das companhias aéreas, Odilon Junqueira, classificou como precipitada a decisão. "Não tem sentido causar transtornos, pois estamos negociando."

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