Sindicato teria deixado vazar informações

O Ministério Público Estadual vai apurar o suposto vazamento de informações - por parte do Sindicato da Habitação (Secovi) -sobre a investigação que resultou na prisão da quadrilha que fraudava o Imposto sobre Serviços (ISS).

Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Marcelo Godoy , O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2013 | 02h13

Escutas ambientais gravadas com autorização da Justiça na sala onde os fiscais se reuniam, no centro, revelam que os auditores haviam sido informados da investigação pelo sindicato.

O promotor Roberto Bodini, responsável pela investigação, afirma que recebeu "alguns recados" de que o Secovi pretende procurar o Ministério Público para comentar o assunto. O promotor pretende ouvir essas pessoas antes de decidir se algum representante de entidade poderá ser responsabilizado. "Alguém que tinha conhecimento da minha investigação levou os fatos para dentro da organização. E o Secovi é mencionado", afirmou Bodini.

O promotor disse que não tem informações de que o Secovi tenha praticado crimes. "O que tenho, e isso está nos autos (da investigação), é que fiz uma reunião com o Secovi e detalhei algumas coisas sobre a investigação. Posteriormente, há a gravação ambiental do Eduardo (Horle) Barcellos (um dos acusados), procurando o Ronilson (Bezerra Rodrigues, apontado como líder do esquema) e dizendo que havia sido procurado pelo Secovi, que era para eles ficarem quietos de um lado que o Secovi ficaria quieto de outro. Esse é o fato", relatou.

Bodini afirmou que o setor representado pelo sindicado se diz vítima da situação e afirma que, se não pagasse, não conseguiria trabalhar, "mas essa vítima ainda não nos procurou, salvo algumas exceções". "Toda a investigação foi colocada em risco por esse vazamento."

Em nota enviada ontem, o Secovi afirmou ser "inverídica" a informação sobre o envolvimento de diretores da entidade com Barcellos. "A diretoria do sindicato solicitará às autoridades constituídas apuração quanto à referida gravação, a fim de imputar responsabilidade criminal a quem falou em seu nome sem autorização, com os objetivos, no nosso entender, de tumultuar as investigações e impedir a necessária apuração dos fatos. Tais manobras são totalmente inadmissíveis", diz a nota.

No texto, o sindicato afirma que está colaborando com as investigações, mas reconhece que havia sido procurado pelo Ministério Público antes de a operação que resultou na prisão dos fiscais ser deflagrada.

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