Sindicato marca greve para o dia 23

Em assembleia, metroviários rejeitaram proposta de reajuste; encontro também homenageou condutor que freou trem antes de colisão

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h46

Os metroviários de São Paulo entraram em estado de greve ontem à noite, após assembleia realizada na sede do sindicato da categoria, no Tatuapé, zona leste da capital. Os trabalhadores ameaçam cruzar os braços a partir da 0h da próxima quarta-feira. A categoria reivindica reajuste salarial de 5,13%, mas o Metrô ofereceu 4,15%, proposta que foi rejeitada por unanimidade.

"Nosso objetivo não é deflagrar uma greve, mas a proposta que o Metrô fez não dá para aceitar", disse o presidente do sindicato, Altino Prazeres.

Segundo o sindicalista, o acidente da manhã de ontem na Linha 3-Vermelha expôs o sucateamento em que se encontra o transporte público de São Paulo, além de disparar o alerta para a importância do trabalho do metroviário paulista.

"Se o defeito tivesse ocorrido na Linha 4-Amarela, a tragédia seria muito maior, porque essa linha é totalmente automatizada e não tem operadores. O trem só parou porque o condutor do vagão percebeu que estava acelerando em vez de diminuir a velocidade e acionou o freio de emergência", destacou Altino. "O operador desse trem foi um herói." Os trabalhadores aplaudiram o rapaz que, segundo a diretoria do sindicato, não pôde comparecer ao encontro por estar "abalado e com forte dor nas costas".

Está marcada para a terça-feira que vem nova assembleia para definir a greve e avaliar contrapropostas salariais do Metrô. Em nota, a empresa informou que deverá entrar com uma medida cautelar inominada para garantir a prestação de serviços.

Pelo País. O movimento por reajuste de salários não ocorre só na capital paulista. Em Belo Horizonte, a greve entra hoje no quarto dia. Ontem, porém, a realização de escala mínima determinada pela Justiça e a opção de parte dos passageiros por outros meios de transporte ajudaram a reduzir o caos registrado na segunda-feira, primeiro dia de paralisação, quando nenhum trem saiu dos pátios.

O metrô de Belo Horizonte transporta 215 mil pessoas em dias normais. Na manhã de ontem, porém, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), aproximadamente 57 mil pessoas passaram pelas 19 estações de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. A escala mínima foi determinada ainda na segunda-feira pela Justiça do Trabalho, que estipulou multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

Os trabalhadores do metrô de Belo Horizonte reivindicam reajuste de 5,74%, plano de saúde integral, participação nos lucros e resultados (PLR) e adicional noturno de 50%. A CBTU não fez contraproposta e, por meio de nota, informou que está em negociação para um acordo coletivo.

Atendimento parcial. A greve dos funcionários do metrô do Recife, iniciada anteontem, não tem prejudicado os usuários. A categoria decidiu que trabalharia normalmente nos horários de pico - das 5 horas às 8h30 e das 16h30 às 20 horas. No período sem funcionamento, os trechos são cobertos por ônibus.

A estimativa é de que 80% dos 280 mil usuários diários tenham sido atendidos. De acordo com o sindicato da categoria, a estratégia é não prejudicar a população. Os funcionários do metrô de João Pessoa, que faz a linha João Pessoa-Cabedelo, também pararam e por reivindicação de reajuste salarial. Ambos são gerenciados pela CBTU. / BRUNO RIBEIRO, CAMILA BRUNELLI, MARCELO PORTELA e ANGELA LACERDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.