Sindicato denuncia nova falha em desvio de trem no Rio

Segundo denúncia, o trem Central do Brasil-Belford Roxo teria ido para outra rota por engano ;Supervia nega

Clarissa Thomé, do Estadão,

02 de setembro de 2007 | 18h52

O sistema de controle dos desvios na linha férrea no Rio teria falhado na manhã deste sábado, 1º, dois dias depois de um choque entre trens ter deixado oito mortos e 101 feridos na estação de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Segundo denúncia do Sindicato dos Ferroviários, o trem Central do Brasil-Belford Roxo teria sido desviado por engano para o ramal que segue para Duque de Caxias, às 9h17. A Supervia - empresa que administra o transporte metropolitano de trens no Rio - negou qualquer irregularidade. Veja também: Veja local do acidente Veja outros acidentes no Brasil e no mundo Galeria de fotos  De acordo com o presidente do sindicato, Valmir Lemos, o trem passava pela estação de Triagem, entrocamento que separa os ramais de Belford Roxo e Duque de Caxias, quando o maquinista percebeu que "caiu para Caxias". "Ele teve de dar marcha à ré para voltar para a linha em que estava. Por sorte, não tinha nenhum trem no ramal de Caxias ou a tragédia poderia se repetir", afirmou Lemos. O sindicalista explicou que a falta de manutenção na malha ferroviária tem provocado falhas como essa, que só são divulgadas quando há vítimas. "O desvio é acionado do Centro de Controle Operacional. Mas, por causa do desgaste, nem sempre os técnicos que operam no controle conseguem identificar se o comando que foi dado teve a resposta esperada", afirmou Lemos. Os ferroviários devem se reunir neste domingo na gare Barão de Mauá para discutir o acompanhamento às investigações do acidente ocorrido na última quinta-feira. A polícia vai inspecionar o trabalho dos controladores de tráfego da Supervia para averiguar se houve falha operacional.  A assessoria de Imprensa da Supervia, que negou ter havido falha no sistema na manhã do último sábado, informou que a empresa divulga no dia 10 o resultado das investigações feitas pela comissão interna criada pela empresa. A partir deste domingo, também, a concessionária começa a discutir indenizações com parentes das vítimas, por meio do telefone 0800-726-9494.  De acordo com boletim divulgado pela Supervia, 12 feridos continuam internados. Informações fornecidas por alguns hospitais dão conta de que o estado de pelo menos três vítimas ainda é grave. Acidente Até agora, segundo a Supervia, não se pode afirmar as causas ou circunstâncias em que aconteceu o acidente. O diretor de Operações da empresa, João Gouvêa, afirmou que só após a perícia será possível identificar as causas do choque. "Os dois maquinistas não faleceram e serão úteis para esclarecer o que houve. O laudo deve sair em dez dias. Só então saberemos detalhes como a velocidade das composições." Para o presidente do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro, Valmir Lemos, o acidente aconteceu por problemas de sinalização. "Nós fazemos essa denúncia há anos: a manutenção da via férrea é precária." Segundo o estadao.com.br apurou, um dos trens tinha cerca de 400 passageiros e o outro estava vazio, no momento do choque. De acordo com a concessionária da via férrea, o trem WP-908 atravessava da linha 1 para a linha 2 quando foi abalroado pelo trem de passageiros prefixo UP-171. O choque foi tão forte que o último vagão do WP-908 descarrilou. Os dois primeiros carros do outro trem também saíram dos trilhos. Muitas pessoas ficaram presas às ferragens. O UP-171 tinha partido às 15h10, da quinta, da Central do Brasil rumo a Paracambi. O acidente ocorreu a cerca de 200 metros da Estação de Austin. Moradores das redondezas, ao ouvirem o estrondo, correram para o local e socorreram as vítimas em estado menos grave, levadas de carro a hospitais próximos.

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