Sindicato de caminhoneiros e Prefeitura não chegam a acordo

Caminhoneiros prometem greve para pressionar Prefeitura a rever medidas anticongestionamento

Carol Freitas, Agência Estado

08 de abril de 2008 | 17h13

Cerca de 30 representantes de empresas e associações dos setores de transporte e varejo de São Paulo estão reunidos desde às 15 horas com o secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Morais, na sede da secretaria, Centro da capital, para discutir as medidas de restrição à circulação de caminhões na cidade. Cerca de uma hora depois do início do encontro, o diretor do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcest), Urubatan Helou, deixou a sala de reunião reclamando da falta de dialogo do secretário.   VEJA TAMBÉM Paulistano é favorável à ampliação de rodízio, diz estudo O tráfego agora pelo Ilocal  As rotas alterantivas para fugir do congestionamento Prefeitura amplia restrição a caminhões no Centro Expandido As obras e propostas de estacionamento da Prefeitura e opine    "Ele nos convidou para a reunião não para aceitar sugestões, mas para cumprir um rito de comunicação", disse Helou. "Não houve avanço nenhum", completou. O sindicalista classificou como extremamente "imperativa" a fala de Morais. Exaltado, Helou deixou sobre a mesa de reunião um documento com as reivindicações do sindicato e saiu. "Se ele não flexibiliza, sinto muito, tenho mais o que fazer", declarou o diretor do Setcest.   O secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, deu prazo de dez dias para todos os setores (comercial e de transportes) apresentem as medidas necessárias e o tempo para implantação das restrições anunciadas na semana passada. A Prefeitura também espera receber uma lista de sugestões com exceções à regra e suas respectivas justificativas.  O aviso do secretário para a categoria foi duro: "é para encaminhar as exceções do que é impossível e não do que é inconvenientes", disse Moraes.   As entidades poderão propor prazos mais longos para que a lei entre em vigência depois de publicada, desde que justifiquem esse pedido. De acordo com a determinação inicial da Prefeitura, as normas passam a valer 45 dias depois de publicadas no Diário Oficial do Município. "Alguns setores disseram precisar de mais tempo para contratar e treinar pessoal para receber as mercadorias no período noturno ou para refazerem seu esquema logístico", disse Moraes.   Moraes lamentou que não tenha sido o presidente do Sindicato, Francisco Pelúcio, a comparecer ao encontro, pois já havia um diálogo entre eles. Deixou claro, ainda, que não haverá qualquer flexibilização para além das exceções a serem aprovadas na comissão. "Pedi que os setores me encaminhem exceções para os casos em que a restrição é impossível, não para aqueles em que é inconveniente", disse Moraes. "Fora disso, não há possibilidade de flexibilizar a decisão."   A maioria dos integrantes da comissão que julgará os apartes, segundo Moraes, compareceu à reunião desta terça-feira, 8. A lista final dos representantes, no entanto, será discutida entre o secretário e o prefeito Gilberto Kassab ainda essa semana.   O secretário afirmou que é importante formar a comissão que vai julgar essas exceções o mais rápido possível. Ele apresentaria, ainda nesta terça-feira, 8, uma lista de possíveis integrantes da comissão.   Descontentes com a inclusão dos caminhões no rodízio municipal e também com as restrições de carga e descarga das 5 às 21 horas na área do centro expandido - anunciadas na semana passada pela Prefeitura de São Paulo -, os cerca de 50 mil caminhoneiros autônomos da capital paulista ameaçam paralisar as atividades, caso não sejam ouvidos pela Prefeitura.    A mobilização contra as novas regras não pára por aí: o Sindicato das Empresas de Carga (Setcesp) deve divulgar um manifesto contra as medidas anticaminhão. As duas entidades reclamam que não foram ouvidas pelo governo municipal, que teria imposto as restrições ao setor, fundamental para o abastecimento da capital.    Na quarta-feira, os representantes do comércio varejista de São Paulo vão propor ao prefeito, Gilberto Kassab (DEM), a flexibilização das medidas. Na pauta da reunião estão um pedido de liberação da circulação dos veículos urbanos de carga (VUCs), que tem até 6,3 metros de comprimento e críticas ao horário de carga e descarga, que pode ir contra a Lei do Silêncio nas áreas residenciais.   Justiça   O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (Setcesp) estuda entrar na Justiça contra as medidas de restrição ao tráfego de caminhões na capital paulista. Para o diretor do Sindicato, Urubatan Helou, falta diálogo com a Prefeitura sobre as decisões. "Se não podemos questionar as decisões, cabe procurar na Justiça a defesa de nossos interesses", disse. "O prefeito (Gilberto Kassab) parece não pensar no abastecimento urbano."   Helou alertou ainda para o risco de uma paralisação dos transportadores autônomos de carga. A ameaça foi feita segunda-feira, 7, pelo diretor do Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicam), Bernabé Rodrigues. "A Prefeitura está mexendo com fogo", afirmou Helou, do Setcesp. "Se os autônomos se mobilizarem, perderemos o controle da situação."   (Colaborou Camilla Rigi - O Estado de S. Paulo)

Tudo o que sabemos sobre:
transportetrânsitocaminhões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.