Sindicato culpa falta de ranhuras na pista de Congonhas

Ranhuras, chamadas de grooving, são necessárias para o escoamento de água

Eduardo Reina, Marcelo Godoy e Humberto Maia Junior, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 21h56

O acidente com o Airbus A320 da TAM foi causado pela falta de ranhuras transversais na pista principal do Aeroporto de Congonhas, reaberta no dia 29 de junho. Quem faz a afirmação é o agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho.  As ranhuras - chamadas de grooving e necessárias para o escoamento de água - só podem ser feitas no concreto da pista um mês depois de ela ficar pronta. Isso porque é necessário que o concreto se consolide para que as máquinas possam executar o serviço. Sem isso, a água pode empoçar na pista e causar o fenômeno da aquaplanagem. "Era de se esperar que isso ocorresse. Um avião lotado, portanto, pesado, um dia de chuva e com empoçamento de água, o piloto fica sem ter como controlar o avião", disse Camacho. "A solução agora é enterrar os mortos", afirmou. O sindicalista culpou a "ganâncias das empresas áreas e a incompetência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pelo acidente desta terça-feira, 17. "Desde o início, nós defendíamos que o Aeroporto deveria ser fechado enquanto a reforma não fosse concluída, mas ninguém quer perder, ninguém quer abrir mão do poder ou dos lucros", afirmou Camacho. O sindicalista afirmou, ainda, que a pista deveria ter concreto poroso na lateral para que, em caso de derrapagem, o avião fosse detido pelo concreto, que afundaria, diminuindo as conseqüências do acidente. Mas isso, segundo o sindicalista, sequer foi analisado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), responsável pela reforma de Congonhas. "Essas pessoas morreram gratuitamente." Empresas O diretor de Segurança de Vôos do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, Ronaldo Jenkins, disse que não é possível culpar a pista pelo acidente. "Não dá para dizer que isso (o acidente) é algo previsível. Vamos esperar as investigações para tirar alguma conclusão." Ele ressaltou, porém, que a TAM tem a obrigação de prestar toda assistência aos familiares das vítimas. O Grupo Estado apurou que a OAS, uma das responsáveis pela obra, só se manifestaria após a divulgação da filmagem do pouso, pela Infraero. O presidente da Federação dos Trabalhadores da Aviação Civil, Celso Klaf, também diz que é cedo para culpar a pista de Congonhas. "O avião pode ter tido problemas com freio", disse. "Já houve centenas de pousos desde que a pista foi reaberta que não tiveram problemas." O asfalto novo, falta das ranhuras na pista (grooving) e a água foram os principais causadores do acidente com o avião da TAM ontem. "O avião vazou a pista por falta de aderência do concreto com a roda do avião", disse um piloto acostumado com a pista de Congonhas.  Outro piloto disse que como o grooving (ranhuras) na pista reformada recentemente ainda não foi feito, a aeronave deslizou. "Sem a borracha dos pneus na pista não há aderência. É como se um carro de corrida fizesse a curva fora do traçado dos outros carros, vai escapar mesmo." Uma hipótese com peso menor, mas que não deve ser desprezada também é levantada pelos dois pilotos. O avião teria perdido o sistema hidráulico, o que o fez ficar sem os freios. "Ele pode ter perdido o sistema hidráulico, o que faz perder o sistema Antiski, que é igual ao freio ABS de um carro de passeio", explicou o comandante. "Há 99% de chances de que no pouso o piloto tenha tocado o avião na divisória do primeiro com o segundo terço da pista, que está sem borracha, sem grooving e molhada, e não teve tempo para parar ou para arremeter", afirmou. 

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