Sindicalistas desistem de parar aeroportos de SP

Proposta patronal foi rejeitada na capital, mas multa desencorajou movimento; Rio, MG, DF, CE e BA têm paralisação parcial

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2011 | 03h05

Depois de uma paralisação de funcionários de bagagem e equipamentos de solo da TAM ter causado atraso em mais de 50% nos voos no Aeroporto de Congonhas pela manhã, sindicalistas afastaram a possibilidade de uma greve no terminal até o fim de 2011 por causa de uma decisão da Justiça.

Em audiência de conciliação entre representantes sindicais e companhias aéreas, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) definiu que pelo menos 80% do efetivo das empresas deverá trabalhar durante os dias que antecedem os feriados de Natal e ano-novo. Como os sindicatos acreditam que uma paralisação de apenas 20% não vai ter efeito real nas negociações, eles decidiram então não entrar em greve.

Na audiência, que terminou sem acordo entre patrões e empregados, o presidente do TRT-SP, Nelson Nazar, propôs um reajuste de 7% para os aeroviários (funcionários que trabalham em terra nos aeroportos). A categoria aceitou a proposta, mas as empresas insistem no aumento de 6,5%. Apesar da recomendação, Nazar determinou multa de R$ 100 mil por dia aos sindicatos que descumprirem os padrões mínimos de atendimento durante os feriados.

Para Reginaldo Alves de Souza, presidente do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo (Saesp), a decisão inviabilizou a greve neste fim de ano. "Não vamos fazer nada agora, mas não temos o mesmo impedimento em janeiro", diz.

Outro problema, admite o sindicalista, é que os aeroviários da cidade de São Paulo estão praticamente sozinhos no movimento de greve, uma vez que a maior parte da categoria, que é representada por diferentes sindicatos - alguns ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), outros à Força Sindical - já aceitou a proposta patronal. Foi o caso, por exemplo, dos sindicatos dos aeroviários de Guarulhos e de Pernambuco, que ratificaram essa decisão ontem, em assembleia. O Sindicato Nacional dos Aeronautas, que é ligado à CUT e representa a tripulação (comissários e pilotos) em todo o País, também aceitou ontem o reajuste de 6,5% do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).

A maior parte dos aeroviários é ligada ao Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), da CUT. Os trabalhadores de Recife, Guarulhos e Porto Alegre têm entidades independentes, com a mesma central. Já os municípios de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo também têm sindicatos próprios, ligados à Força. Todos aceitaram a proposta patronal, exceto SNA e Saesp.

Rio. Ontem, o SNA afirmou que os trabalhadores iniciaram greve parcial por volta das 15h30 no Aeroporto do Galeão, no Rio - às 20h, os atrasos chegavam a 21%. Também haveria adesão em Confins, Brasília, Fortaleza e Salvador. Para evitar a multa de R$ 100 mil estabelecida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), o sindicato diz que os trabalhadores organizam o movimento por conta própria. / COLABOROU SABRINA VALLE, DO RIO

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