Simbiose de George Benson e Ivan Lins agiganta a noite

Cantores repetem parceria do primeiro Rock in Rio e balançam a plateia com duos como em 'Dinorah Dinorah'

Jotabê Medeiros, Enviado especial / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2013 | 02h00

Pela primeira vez, o Rock in Rio conseguiu tirar de casa a maior plateia de "lelecos" do festival até aqui (homens que já passaram da meia idade, a exemplo de Marcos Caruso na novela Avenida Brasil). Os responsáveis por isso foram os cantores e compositores George Benson e Ivan Lins, que talvez tenham conseguido o maior coro alternativo do festival até agora - na letra de Vitoriosa, de Ivan Lins.

Ambos fizeram um show realmente simbiótico, juntando forças (e as de seus músicos), com três teclados, três guitarras, baixo, bateria e duas vozes. Benson lembrou, emocionado, a forma como Ivan Lins se tornou o seu melhor amigo no Brasil e como, frente a 300 mil pessoas no primeiro Rock in Rio, há 28 anos, eles balançaram tudo com Dinorah Dinorah. A façanha se repetiu.

A excelência da guitarra jazzística de George Benson deu o toque de sofisticação que faltava até aqui ao festival. Seu timbre está intacto, embora tenha derrapado um pouquinho nos agudos de Kisses in the Moonlight.

Ele abriu a noite já com o pé na porta da geladeira, enfileirando os hits Love X Love, Kisses in the Moonlight e In Your Eyes. O cartão de visitas, com dancinhas e gestos de amor extremado à moda Roberto Carlos, quebraram o gelo e a plateia não parou mais de cantar.

Foi então que veio Ivan Lins (em noite especialmente política) e atacou sua Novo Tempo, enfatizando raivosamente os versos "estamos nas ruas, quebrando as algemas pra sobreviver".

Depois, o músico discursou: "Hoje é dia de se divertir. Acabado o Rock in Rio, vamos aos nossos deveres. As ruas também esperam por vocês". Ele voltaria a enfatizar versos de natureza política em Soberana Rosa(She Walks this Earth), composição sua com a qual Sting ganhou um Grammy, como explicou para a plateia.

Ivan Lins está no auge da forma, e seus hits não só sobreviveram ao tempo como são a prova estética de que é possível romper barreiras culturais entre gêneros - ele invade o jazz, subtrai sua bossa do soul de Benson, ambos improvisam sobre o tema, e retornam à coluna cervical da canção no final.

Dupla. Nando Reis e Samuel Rosa, hitmakers e parceiros em muitas letras, se encontraram para cantar juntos pela primeira vez, no Palco Sunset. Ficariam ali por duas, três horas, e não cansariam a audiência. Conseguiram entrar para a galeria dos grandes coros do Rock in Rio quando deixaram o público cantar sozinho O Segundo Sol, de Nando, gravada por Cassia Eller.

Nando fez primeiro algumas canções sem o parceiro. Veio com um som cheio, um paredão de sopros, percussão e backing vocals cheios de negritude nos arranjos. E investiu em um repertório de hits sem respiros. "Vamos que o tempo é curto", anunciou.

Abriu com Pré-Sal e seguiu com Sou Dela, O Que Eu só Vejo, N, Sei. Antes de All Star, falou bonito. "Costumo dizer que esta música fica sempre melhor quando cantada em céu aberto. As estrelas não brilham só à noite. A gente é que não as vê durante o dia, mas elas estão lá." Quando chamou Samuel Rosa, fez as mãos que estavam ao alto dobrarem de número e iniciou o baile. Juntos, dividiram vozes em Marvin e em Onde Você Mora (gravada pelo Cidade Negra). / COLABOROU JULIO MARIA

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