Show particular de James Ellroy

Americano elogiou Eder Jofre e Villa-Lobos

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2011 | 00h00

James Ellroy exibiu sua faceta showman na última mesa de ontem da 9.ª Festa Literária Internacional de Paraty: disparou palavrões, revelou-se arredio às inovações tecnológicas ("Vivo no vácuo"), mas, ao mesmo tempo, exibiu uma apurada avaliação do romance policial americano, além de reafirmar sua paixão por Beethoven. Fanfarrão, o americano logo repetiu uma de suas frases de efeito preferidas ("Se eu fosse um líder religioso, seria simplesmente Deus") para conquistar a plateia, mas, em seguida, exibiu mais profundidade.

Confessou, por exemplo, não gostar das tramas policiais de Raymond Chandler, considerado um dos papas do gênero. "Suas metáforas são cansativas e arrastam a narrativa, além de escrever sobre o homem que queria ser", disse. "Já Dashiel Hammett descrevia o homem que temia ser: cético, pelego, capanga. É muito mais importante que Chandler."

Apesar de não cansar de entronizar Beethoven, Ellroy dedicou palavras elogiosas também a Villa-Lobos ("Um grande compositor") e ainda para o pugilista Eder Jofre, que foi bicampeão mundial. "Foi o lutador mais perfeito que já vi em minha vida."

Dono de uma prosa concisa, telegráfica, ele agora prepara uma nova tetralogia sobre Los Angeles, cujo primeiro volume trará, "em tempo real", o impacto provocado pelo ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941.

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