Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Em primeiro dia de reabertura, shoppings na cidade de SP têm baixo movimento

Um dos centros de compras abriu 20 minutos mais cedo, antes do horário combinado com a Prefeitura; entrada de clientes é controlada, com funcionários medindo temperatura

Bruno Ribeiro, Paloma Cotes e Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 17h52
Atualizado 11 de junho de 2020 | 21h33

No primeiro dia de reabertura dos shoppings na cidade de São Paulo, houve estabelecimento que já funcionava antes do horário combinado com a Prefeitura, assim como houve outro shopping que viu aproximadamente um terço dos seus lojistas optarem por não abrir as portas nesta quinta-feira, 11, véspera do Dia dos Namorados - uma importante data comercial para o comércio. 

Os centros de compras estão autorizados a abrir entre 16h e 20h durante a fase dois (laranja) do Plano São Paulo, em que a operação só é permitida durante quatro horas por dia. O Estadão visitou seis shoppings na capital paulista e, no geral, os estabelecimentos respeitaram a maioria dos protocolos estabelecidos pelo governo, especialmente no que diz respeito à higiene pessoal e organização do fluxo do público, cujo limite é de 20% da capacidade. 

Com funcionários medindo a temperatura de quem entrava e faixas na calçada para organizar a fila, os frequentadores já podiam ter acesso ao Shopping Pátio Paulista, na Avenida Paulista, às 15h40, embora apenas algumas lojas do interior do local já tivessem com as portas abertas. Em nota, o shopping disse que abriu mais cedo para lojistas e clientes a fim de evitar aglomeração na entrada. 

As filas para o acesso, no começo da tarde, eram de menos de dez pessoas, e a espera para o acesso não chegava a durar um minuto. Nos acessos pelas garagens, também havia controles de acesso. Os shoppings devem restringir a 20% da capacidade. Lá dentro, os corredores estavam com adesivos no chão, para organizar o fluxo de clientes e evitar aglomerações, conforme recomendam as diretrizes sanitárias.

O movimento foi um pouco maior no Shopping Center Norte, na Vila Guilherme, zona norte. Ali, os corredores estavam cheios, mas poucas pessoas com sacolas de compras nas mãos e vendedores nas portas das lojas. 

"Não estava planejado a gente vir aqui. Vi que o shopping ia reabrir, li que eles teriam um esquema de limpeza e então decidimos passar", contou a funcionária pública Monique Mello, de 37 anos, que estava com a família no centro de compras. "A gente sempre ter de ter um pouco de preocupação, e não sei se vou voltar mais cedo", disse ela, enquanto observava suas crianças correrem em uma área de descanso.

Esvaziado

No Shopping Frei Caneca, no centro, a movimentação de clientes não era grande por volta das 17h30. Seguranças mediam a temperatura de quem chegava e a entrada e saída só eram permitidas por portas diferentes. Quem fizesse o caminho contrário em direção à porta era orientado a seguir pelo caminho adequado.

Também na entrada, funcionárias limpavam os corrimãos com álcool e orientavam clientes a usar álcool em gel disponível em um dispenser. O mobiliário interno do estabelecimento também foi removido. Nas lojas, funcionários nas portas usavam máscaras e alguns utilizavam face shields (protetores que cobrem todo o rosto). Em grandes redes de departamentos, a entrada dos clientes era controlada e algumas lojas colocaram fitas na porta para restringir a entrada e saída.

Para o administrador Eduardo Sousa, de 45 anos, foi "impactante" ver funcionários do shopping Iguatemi, na zona sul, com máscaras acrílicas, oferta de álcool em gel e controle de temperatura. "Estava um pouco preocupado se haveria muita gente. Mas me senti seguro", disse o administrador, que foi ao shopping para comprar, atrasado, um presente para a companheira.

O Shopping Higienópolis, que em uma das entradas instalou câmeras térmicas no lugar de manter funcionários com aparelhos de medição de temperatura, o movimento foi muito fraco, de acordo com lojistas. Poucas pessoas nos corredores e lojas vazias na primeira tarde de retorno às atividades

No Shopping Bourbon, na zona oeste, havia fila só nos postos de atendimento das empresas de telefonia, com pessoas querendo resolver problemas de seus celulares. As lojas têm funcionários nas portas para evitar a aglomeração de clientes no interior dos estabelecimentos. 

Filiais de marcas famosas de calçados, roupas e acessórios estavam com as portas fechadas nesta tarde, embora a maioria dos estabelecimentos tenha optado por abrir para os negócios. Cerca de um terço das lojas desse shopping não abriu. Em nota, o Bourbon disse que a abertura estipulada pelo shopping é gradual para que o lojista tenha conforto e segurança no retorno à operação. "O shopping estima 100% das atividades permitidas abertas em até 72 horas, a partir de hoje (11 de junho)."

Se houver crescimento de infecções

Os shoppings mais populares tiveram um movimento maior nesta quinta; já os de classe média alta foram mais “suaves” e “tranquilos”, avaliou o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.

“Temos uma situação de ansiedade, somada com uma grande preocupação, ao mesmo tempo em que as pessoas não aguentam mais ficar em casa. Os shoppings vieram para ajudar a população. A sociedade precisa espairecer, e os shoppings têm o melhor equipamento de segurança. Se amanhã houver crescimento do número de infectados, você pode dizer que foi ao redor, mas não dentro do shopping”, disse. 

Perguntado se as filas que se formam para entrar no estabelecimento não podem contribuir com o número de infecções, Sahyoun comparou com as filas que se formaram em frente à Caixa Econômica Federal para o saque do auxílio emergência. “Essa fila (do shopping) é dez vezes melhor do que as que se formam em frente à Caixa ou à lotação do transporte público.”

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