Kathia Tamanaha/Estadão
Kathia Tamanaha/Estadão

Shopping de São Paulo é acusado de discriminação racial

Pai reclama de abordagem de segurança armado contra seu filho; Pátio Higienópolis pediu a substituição do colaborador

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2018 | 07h00
Atualizado 29 Setembro 2018 | 18h10

SÃO PAULO - O auxiliar administrativo Anderson Nascimento acusa um segurança do Shopping Pátio Higienópolis, na região central de São Paulo, de discriminação racial contra o seu filho, de 14 anos. O caso aconteceu na noite de sexta-feira, 21, quando Nascimento, que é negro, e o garoto, moreno, foram ao estabelecimento para comprar um tênis.

Nascimento afirmou ao Estado que estacionou seu carro na Rua Doutor Veiga Filho por volta das 22h30 e, do lado de fora do shopping, perguntou a um vigilante como fazia para chegar à loja Att Walk. Segundo o seu relato, o segurança ordenou que o menino tirasse as mãos do bolso da blusa.

"Eu questionei o segurança do porquê ele estava mandando meu filho tirar a mão do bolso. Ele respondeu: 'Eu estou armado e posso fazer isso'", afirmou o auxiliar administrativo.

Pai e filho se afastaram do vigilante, foram a um posto de combustível nas adjacências e retornaram ao shopping pela entrada da Avenida Higienópolis. Nascimento fez uma reclamação sobre o caso no site do centro de compras e preferiu não chamar a polícia.

Em seguida, o auxiliar administrativo procurou seguranças do shopping para informá-los de que ele e o menino passariam a noite do lado de fora do estabelecimento - o lançamento do tênis estava previsto para ocorrer às 10 horas do sábado, 22.

"Fizemos isso para não ter mais problemas e não sermos confundidos com bandidos", afirmou Nascimento.

O shopping respondeu à reclamação do auxiliar administrativo e informou que solicitou a substituição do funcionário, que é de uma empresa terceirizada.

Nascimento afirmou que pediu, então, que o estabelecimento lhe enviasse um e-mail com as providências tomadas, o que lhe foi negado. O shopping o ligou e o convidou para uma reunião na segunda-feira, 24. No encontro, o auxiliar administrativo insistiu que gostaria de saber o que o Pátio Higienópolis poderia fazer pela vítima.

"Não quero nada no shopping, não quero aproveitar da situação para obter dinheiro. O que eu quero é saber qual é a ação do shopping em relação à vítima", disse. "Meu medo maior era o segurança tirar a arma e dar um tiro."

O auxiliar administrativo registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia da capital paulista.

Procurado pelo Estado na noite desta sexta-feira, 28, o Shopping Pátio Higienópolis afirmou, em nota, que a empresa de segurança contratada imediatamente providenciou a substituição do colaborador.

"O empreendimento repudia veementemente qualquer tipo de discriminação e reforça que todos são bem-vindos no shopping", declarou o Pátio Higienópolis.

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