Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Shakespeare no Complexo do Alemão

Festival de arte no Morro do Adeus atraiu moradores e cariocas 'do asfalto'

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

Há duas semanas, após tentativa de invasão de traficantes, a polícia ocupou os Morros do Adeus e da Baiana, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Neste fim de semana, a ocupação foi cultural. No alto do Adeus, turistas e cariocas "do asfalto" se misturaram à comunidade para assistir a uma adaptação de uma peça de Shakespeare.

"Nunca imaginei que fosse ver algo tão bonito nesse local", disse a operadora de máquina Nívea Carvalho, de 35 anos, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ela viu a peça Sua Incelença, Ricardo III, da Cia. Clowns de Shakespeare, de Natal, com os primos, moradores do Alemão.

Foi a segunda edição do Tempo Festival de Artes, mas pela primeira vez o evento foi para uma comunidade. "Foram quatro meses de pesquisa e contato com os moradores. O Alemão é imenso. Há a ocupação pelo Exército, a situação de sítio. A harmonia só pode chegar por meio da cultura e do lazer", disse um dos diretores do festival, César Augusto.

Durante o fim do evento, o teleférico do Alemão funcionou de graça para visitantes e moradores. O ator Fabiano Xavier, morador do centro carioca há 11 anos, aproveitou para conhecer o Alemão. "A vista é linda."

Antes da peça, os franceses da Compagnie Houdart-Heuclin se vestiram de monstros - batizados de "Padox" - e fizeram uma performance. A atriz e coreógrafa gaúcha Roberta Savian encerrou a programação. Para se preparar para o espetáculo, ela morou seis dias no Alemão. "Confesso que tinha um medo enorme que tive de quebrar. Aqui, tive a oportunidade de ver com os próprios olhos a realidade."

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