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CVC

, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

Viagem inesquecível

Meus pais, de 68 e 60 anos, compraram um pacote de viagem na CVC para o Chile e Argentina, em 9/6. Dois dias depois, ligaram para pedir a mudança do destino, por causa dos problemas relacionados ao vulcão chileno. A CVC lhes ofereceu ou pagar 20% de multa ou seguir o roteiro previsto. Na véspera da viagem, em 30/6, às 20 horas, foram avisados de que o roteiro mudara. O novo trajeto consumia mais tempo em trânsito (ônibus ou barco) e parte das atrações seria perdida. A CVC disse que meus pais seriam ressarcidos, pois os custos diminuiriam. O hotel em que eles ficaram em Bariloche, por exemplo, era de classe inferior à contratada. Nessa cidade, as pessoas andavam com máscaras no rosto para se proteger das cinzas do vulcão. Segundo os moradores, o problema se agravou a partir de 4/6, portanto, a CVC já sabia da desordem na região e, mesmo assim, mandou meus pais para lá. Eles foram levados a pontos turísticos onde a neve era a atração principal, mas só viram chuva de areia e cinzas. Numa das paradas, foram obrigados a esperar pelas malas na chuva, além de pagar por um trajeto de barco. Para ir a Buenos Aires, tiveram de acordar às 3 horas para pegar um ônibus até o aeroporto. Mas, por causa dos problemas com o vulcão, permaneceram mais de 8 horas aguardando para, no final, retornar ao hotel onde a viagem se iniciara, em Santiago. No dia seguinte, 11/7, o ônibus que os levaria ao aeroporto atrasou mais de duas horas, deixando-os à deriva. Finalmente, às 14h30, minha mãe me ligou dizendo que estavam a caminho de Buenos Aires. É obrigação da CVC preocupar-se com o bem-estar de seus clientes e, em casos como esse, trocar o destino sem custos. E, já que meus pais não tiveram essa escolha, deveria primar pelo atendimento. O guia do grupo chegou a ser grosseiro ao ser questionado sobre os problemas.

FABIOLA MALAVAZI / SÃO PAULO

A Central de Relacionamento CVC diz que entrou em contato com a cliente e esclareceu que foi necessário alterar a ordem de visitação de algumas cidades por conta do vulcão, tendo prestado completa assistência durante o percurso. Todas as cidades previstas no

roteiro foram visitadas e a CVC assumiu os custos extras. Diante do descontentamento dos clientes, foi-lhes oferecido desconto para uma próxima viagem.

A leitora indaga: Por que a CVC não permitiu a troca do destino para Salvador, conforme meus pais solicitaram? Não houve ressarcimento e a CVC ofereceu desconto de 10% na compra de outro pacote.

Análise: Diante dos problemas públicos e notórios relativos às cinzas do vulcão chileno, que alcançavam diversas regiões do continente, tal fato seria suficiente para justificar o temor dos turistas quanto a eventuais riscos e especialmente à redução do gozo pleno dos atrativos da viagem. De mais a mais é natural que a preocupação com a viagem nesse cenário seja ainda maior, considerada a faixa etária dos contratantes. Tais circunstâncias justificariam o cancelamento da viagem sem que os consumidores tivessem de arcar com penalidades contratuais. E, uma vez que o serviço não foi prestado em sua plenitude - pois houve redução das atrações; em lugar da neve, eles viram "chuvas de cinzas"; e, por causa das mudanças de rota, houve um maior desgaste pessoal -, é direito dos contratantes exigir redução proporcional do valor pago, como forma de compensar a perda sofrida, direito este assegurado pelo artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor.

Josué Rios, advogado, é colunista do Jornal da Tarde

SOFÁ COM DEFEITO

Descaso com cliente

Em 22/5/2010 comprei um sofá na loja Silvia Design, da Av. Washington Luis. Após 1 mês de uso, um dos assentos afundou. O fato foi constatado pelo técnico, que retirou o móvel para consertá-lo, mas o sofá voltou com o mesmo defeito. Isso se repetiu por 3 vezes. Tive de entrar em contato com a loja inúmeras vezes para buscar uma solução. Em uma delas, fiquei só com a carcaça do sofá, pois todos os assentos foram retirados. Agora o móvel está com problema em todos os assentos. Solicitei a troca, mas a loja se negou a fazê-la.

ODETE CARRERA /SÃO PAULO

A Sylvia Design informa que entrou em contato com a consumidora sra. Odete e lhe deixou disponível o atendimento técnico.

A leitora desmente: Mentira. A loja entrou em contato para saber o que ocorrera, prometeu retornar com uma solução, mas até o momento nada.

Análise: A consumidora está amparada pelo Código de Defesa do Consumidor e tem direito à troca do sofá, mas, como a loja se nega a atendê-la, recomendo que ingresse no Juizado Especial Cível para pedir o dinheiro de volta corrigido. Não vale a pena o desgaste tentando a troca sem sucesso. O fornecedor é responsável pela qualidade do produto e, em casos nos quais o mesmo apresenta vício, tornando-se impróprio ou inadequado para o consumo, o problema deve ser sanado em 1 mês. Como o defeito não foi reparado no prazo, há direito a escolher uma das três opções: a substituição do produto por outro, em perfeitas condições de uso; a restituição da quantia paga; ou o abatimento proporcional do preço.

Thiago Vargas Escobar Azevedo é advogado da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste)

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