Seus direitos

GELADEIRA BOSCH

, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2010 | 00h00

É normal o forte odor?

Adquiri um refrigerador Bosch em 2008 e, ainda na garantia, ele apresentou forte odor de acetona e amoníaco. Chamei a autorizada, que me orientou a limpá-lo com uma solução de bicarbonato de sódio, pois o cheiro era por causa de ele ser novo. Mas quando deixei de limpá-lo com bicarbonato, por 2 meses, o odor voltou mais forte passando até mesmo para os alimentos. Entrei em contato com o SAC e mandei uma carta registrada, sem retorno.

MARIA DULCE CAPUANO / SÃO PAULO

A Bosch Eletrodomésticos informa que fez uma visita de vistoria do produto em 29/11.

A leitora contesta: Confirmo a visita. Como continuei limpando a geladeira com bicarbonato de sódio, não havia mais nenhum odor. O técnico primeiro alegou que o cheiro era proveniente de derivados de leite, depois disse que seria um problema característico de todo "frost free". Argumentei que tive o mesmo produto, mas de outra marca, e isso nunca aconteceu. Ele confessou conhecer o tal odor no produto Bosch e escreveu na ordem de serviço que não havia nenhum defeito e que a cliente pedia a troca da geladeira. Em 2/12, uma funcionária me ligou para dizer que, como a geladeira não exalou nenhum cheiro durante a visita, o problema não existe e, portanto, a empresa não o reconhece. Ela ainda sugeriu limpá-la com 30% de Varsol e 70% de álcool!

A Bosch Eletrodomésticos informa que verificou o produto e constatou que o aparelho está em condições normais, tanto estéticas quanto funcionais, atendendo às normas de segurança.

A leitora acrescenta: Nunca disse que havia um problema técnico ou estético, mas um forte odor químico proveniente da pintura interna do aparelho, conforme constatou a assistência técnica.

Análise: A leitora não foi devidamente orientada, quando da visita do técnico, para suspender o uso do produto usado como paliativo para amenizar o mau cheiro da geladeira. Ela tentou resolver o problema quando o produto ainda estava na garantia, mas a empresa vem se omitindo da obrigação de sanar o defeito. Caso a Bosh não dê uma solução, a consumidora deve procurar os órgãos de defesa do consumidor ou o Juizado Especial Cível mais próximo de sua casa para fazer uma queixa. Cabe à empresa indicar uma assistência técnica que realmente resolva o problema. E, enquanto o refrigerador estiver em conserto, a Bosh deve deixar disponível um aparelho substituto. O Código de Defesa do Consumidor determina que devem ser consertados pelo fornecedor os produtos que apresentam vícios. Se em até 30 dias o reparo não for feito, o consumidor pode exigir, alternativamente e à sua escolha, a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos e o abatimento proporcional do preço. A Bosch, por meio de seus prepostos, confirmou o problema quando instruiu a leitora a usar produtos químicos para que o odor não voltasse a aparecer. Constatado o vício, a empresa deve solucioná-lo da maneira que for mais conveniente para a consumidora.

Tatiana Viola de Queiroz é advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste)

BRADESCO

Atraso e prejuízo

Em 14/10 enviei formulário padrão fornecido pelo Bradesco Financiamentos para fazer o Documento Único de Transferência (DUT)de meu carro financiado em 2009, hoje quitado e vendido a um terceiro. Disseram que em 15 dias úteis o comprador receberia os documentos. Não foi o que ocorreu. Ao entrar em contato, soube que as providências necessárias foram tomadas em 22/10. No dia 11/11, o documento ainda não havia sido enviado. Entrei em contato e soube que no "sistema" não havia nenhuma informação sobre o motivo de o prazo ser descumprido. Já recebi o dinheiro pela venda do carro e estou sendo cobrado pelo comprador.

ALEXANDRE CHAMIE / SÃO PAULO

O Banco Bradesco S.A. informa que entrou em contato com o cliente para dar esclarecimentos.

O leitor reclama: Enviaram o DUT em nome do Bradesco com uma procuração para que o comprador fizesse a transferência. O processo demorou porque confundiram esse carro com outro que tenho.

Análise: O prazo indicado pelo banco deve ser rigorosamente cumprido. O Bradesco deveria ter enviado a documentação com a máxima urgência ao comprador do veículo, devendo tratar o caso de maneira prioritária, tendo em vista sua exclusiva responsabilidade no atraso, bem como os riscos ao consumidor e aos terceiros envolvidos. Diante dos prejuízos, o consumidor pode recorrer ao Poder Judiciário, requerendo o envio da documentação devida, bem como solicitando eventual reparação de danos financeiros e morais, se houver.

Frederico de Almeida é advogado da Pro Teste

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