Seus direitos

SERVIÇO MALFEITO

, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Obra complicada

Comprei um apartamento duplex da Even Construtora e Incorporadora em setembro de 2009 e, desde então, enfrento dificuldades com a assistência técnica. No dia 31/5, por exemplo, pela 4.ª vez, faltou água no edifício. A Even foi notificada pelo condomínio e por mim para efetuar os reparos, mas nada foi feito. Há trincas nas paredes e no teto das suítes, apesar das intervenções da construtora. Não bastasse isso, ao pintar meu apartamento de branco, vi que a cor da porta e dos batentes era outra. Agora vou ter de esperar por quase duas semanas para que o engenheiro avalie essa demanda. O manual do proprietário indica que a laje zero está pronta para receber o piso, eliminando a necessidade de contrapiso. Acreditando nisso e na palavra do engenheiro da Even providenciei a instalação do piso por empresa especializada. O resultado foram desníveis, móveis inclinados e ruídos inconvenientes. Somem-se todos esses incidentes à ausência frequente do engenheiro que aprova os gastos da assistência técnica, bem como a equipe pequena, ante a quantidade de chamados em aberto. Só peço soluções definitivas para os problemas que se arrastam há meses.

ALEXANDRE KAJIHARA / SÃO PAULO

A Even Construtora e Incorporadora esclarece que agendou com o cliente a visita à unidade para a realização de vistoria e eventuais reparos. Entretanto, em duas tentativas, a equipe não foi recebida, impossibilitando a realização dos serviços. A Even reitera sua disponibilidade para prestar a assistência necessária ao sr. Kajihara,

por meio de agendamento com a Central de Relacionamento.

O leitor contesta: Acreditava que, com a mediação do jornal, finalmente a Even adotaria uma atitude diferente, pensando minimamente no cliente e, por consequência, em sua própria sobrevivência no mercado. Infelizmente, não foi o que ocorreu, já que não há efetivo diagnóstico ou justificativa para a ocorrência de cada um dos problemas citados nem ao menos a possibilidade de fornecimento de um cronograma para a realização dos serviços. O pior: há uma tentativa de responsabilizar o cliente pelos problemas que a Even não consegue resolver. Vale ressaltar que, em relação às tentativas de visita mencionadas, não houve prévio agendamento. Nessas oportunidades, o engenheiro combinou oralmente conosco o dia e horário, só que a equipe apareceu em data diversa da acertada. Há ainda o uso de materiais e técnicas de qualidade questionável na obra. Se fosse diferente, não teríamos tantos moradores insatisfeitos. Os condôminos assinaram um abaixo-assinado solicitando à Even a atenção devida ao empreendimento.

Análise: De acordo com o artigo 618 do Código Civil, nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções, o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança durante 5 anos. Caso a empresa não cumpra com esta obrigação, o consumidor deve formalizar sua reclamação num órgão de defesa do consumidor ou ingressar com ação no Poder Judiciário.

Valéria Cunha é assistente da

Diretoria de Atendimento do

Procon-SP

CHAVE MESTRA

Carro arrombado

Tive o porta-malas de meu Honda Civic arrombado com a utilização de um objeto estranho, que danificou a fechadura sem acionar o alarme, e foram levados objetos que estavam em seu interior. Acionei o SAC da Ford, que me orientou a procurar uma concessionária para realizar as análises necessárias e passar os detalhes do arrombamento para a fábrica. Tive problemas com o SAC, que só me atendeu depois de 3 dias e de dezenas de ligações. A resposta foi negativa quanto ao conserto e a justificativa foi de que, mesmo sem a chave original, conseguiram abrir o carro sem que soasse o alarme. Por essa razão, a fábrica não se responsabilizaria pela troca da fechadura. É um absurdo, pois fiz todas as revisões em dia e ainda conto com a garantia de 3 anos, que expirará tão somente no final de 2010. Conclui-se, dessa forma, que a garantia de 3 anos prometida aos consumidores se trata de propaganda enganosa.

SÔNIA ATIMURA / SÃO PAULO

O Assessor de Imprensa da Honda Automóveis do Brasil, Ricardo Ghigonetto, informa que, após avaliações por técnicos da rede Honda, não foi detectada qualquer falha de produto, montagem ou fabricação.

Análise: A empresa deve, sim, se responsabilizar pela troca da fechadura, afinal, está no prazo da garantia. Se persistir na negativa de atendimento à consumidora, devem ser acionadas as entidades de defesa do consumidor ou a Justiça para garantir seus direitos. A empresa deve se responsabilizar pelo conserto, pois não cabe a justificativa de que, mesmo sem a chave original, conseguiram abrir o veículo sem que soasse o alarme.

Maria Inês Dolci é coordenadora Institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor

(Pro Teste)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.