Seu Nenê de volta à avenida

Após assistir ao desfile de 2008 no hospital, ele será destaque no enredo dos 60 anos da escola

Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

13 Fevereiro 2009 | 02h42

Em 87 anos de vida e de carnaval, Alberto Alves da Silva, o seu Nenê, só não aproveitou a festa em 2008, porque estava internado em um hospital, vítima de insuficiência renal. Neste ano, apesar da dificuldade em andar, ele entrará no sambódromo como destaque e homenageado, no enredo sobre os 60 anos da escola que fundou e leva seu nome, a Nenê de Vila Matilde. "Acompanhar a escola não é mole", diz ele, que preside a agremiação, a última a entrar no Anhembi na primeira noite.     Veja também:  Cobertura completa do carnaval 2009   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia Especial: mapa das escolas e os sambas do Rio e de SP     Seu Nenê virá no abre-alas, num trono guardado por duas águias, símbolo da agremiação. Na alegoria haverá buquês de camélias, cujas bases são pandeiros que, na avenida, farão movimentos circulares. No chão, 60 mulheres ao redor do carro representarão cada ano de vida da escola.   Para o carnavalesco Lucas Pinto, o enredo deste ano é especial. "Fazer este carnaval é uma responsabilidade", afirma. Ele completa 10 anos no carnaval de São Paulo. Para celebrar as bodas de diamante da escola, Lucas levará ao sambódromo os sentimentos que movem a Nenê e os grandes carnavais da escola. Um desses sentimentos, segundo ele, é o pandeiro, companheiro de Seu Nenê. Um instrumento gigante será empurrado por dois dos 11 integrantes da comissão de frente, que representarão os títulos da escola.   O segundo carro será uma releitura do primeiro enredo da Nenê, "Casagrande e Senzala", inspirado no livro de Gilberto Freire. "Foi a Nenê quem fez o carnaval nos moldes que conhecemos, com um desfile que gira em torno de um tema. A escola também colocou no carnaval os casais de mestre-sala e porta-bandeira", conta.   No terceiro carro, a homenagem será ao desfile de 1970, "Pauliceia Desvairada". No carro, além da réplica do Abaporu, obra de Tarsila do Amaral, quadros serão pintados durante o desfile.   As paixões de seu Nenê estarão no quarto carro. A alegoria homenageará a carioca Portela, o Corinthians, e Maria Tereza, grande amor de Nenê, que morreu em 1987. No carro haverá ainda um diamante, de onde sairão 2 mil balões azuis em forma de coração.   Na bateria, Mestre Pelegrino promete surpresas, mas faz segredo. "Só digo que o mestre de bateria mirim, Kauã, de 13 anos, vai surpreender o público", diz Pelegrino. A escola comemora ainda o retorno do ator Miguel Falabella à frente da bateria.

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