Alfredo Rizzutti/Estadão
Alfredo Rizzutti/Estadão

Sete curiosidades do Jardim América

O altar da Nossa Senhora do Brasil é barroco e data de 1740

O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2015 | 21h37

A elegante Paróquia Nossa Senhora do Brasil é uma das principais referências do Jardim América, um bairro de elite, ruas arborizadas e muitas mansões. Conheça um pouco mais sobre essa construção e veja também outras curiosidades sobre o primeiro bairro-jardim paulistano.

1. Paróquia Nossa Senhora do Brasil

Foi fundada em 1940, começou a ser construída em 42 e só seria aberta ao público em 1958. Seu projeto mistura o estilo dos templos mineiros com as igrejas portuguesas. O altar-mor de madeira entalhada é representante da arquitetura barroca no Brasil. Ele pertenceu à Igreja de Sant'Ana de Mogi das Cruzes, com data estimada de 1740.

2. Um poeta no Paulistano

O poeta Olavo Bilac, bem como o então prefeito de São Paulo, Washington Luiz, estiveram entre os notáveis que compareceram à inauguração do Clube Atlético Paulistano no Jardim América, em 1917.

3. Um símbolo arquitetônico no Harmonia 

Fundado nos anos de 1930, o Harmonia é, junto com o Paulistano, um dos mais tradicionais clubes da cidade. O atual prédio de sua sede foi projetado por Fábio Penteado, Alfredo Paesani e Teru Tamaki, tem 2 500 metros quadrados e é considerado uma referência da chamada escola paulista de arquitetura. No texto que descreve o tombamento, pelo Condephaat, lê-se o seguinte: "Do segundo pavimento, constituído de um espaço totalmente livre, exceto pela presença da cozinha circular, [os jardins] são apreciados de praticamente todos os ângulos. A cobertura, em laje nervurada, apresenta domos que permitem iluminação e ventilação naturais. Houve grande simplicidade na escolha do material utilizado na construção, predominando o uso do concreto aparente, vidros, piso de madeira e painéis de lona."

4. Entre muros e entre praças

Duas propostas da Companhia City (e dos arquitetos-urbanistas por ela contratados para desenhar o Jardim América) não vingaram. A primeira era fazer com que os terrenos das mansões fossem abertos. Pretendiam, portanto, que não houvessem muros entre eles. Talvez por uma questão cultural, isso simplesmente não deu certo. 

A outra ideia era manter muitas áreas abertas nas ruas, seriam jardins internos (do bairro) e compartilhados (áreas comuns) entre os moradores. Os terrenos amplos seriam destinados para a constituição de praças que seriam mantidas pelos proprietários. Também não funcionou. O clube Harmonia, aliás, foi instalado justamente em uma das praças que não emplacaram.

5. Cidade-jardim para os operários, bairro-jardim para os ricos

O conceito de bairro-jardim deriva de cidade-jardim, só que é menos socializante. Barry Parker e Raymond Unwin, os arquitetos responsáveis pelo projeto do Jardim América, eram discípulos de Ebenezer Howard (1850-1928). Howard, por sua vez, inventou a cidade-jardim, cuja proposta é implantar nas cidades zonas mistas de características urbanas (em termos de infraestrutura, oportunidades e serviços) e rurais (arvoredo, boas condições de clima etc.). A ideia era oferecer as melhores condições para a classe operária, em parte para melhorar a vida puxada nas condições de trabalho das fábricas. 

Na Inglaterra, essas cidades foram se multiplicando a partir do exemplo de Letchworth, na periferia de Londres. E o modelo foi exportado para outros países. Em São Paulo, por sua vez, o conceito sofreu as adaptações de um outro: a cidade-jardim, que, como se pode imaginar, não tinha DNA "socialista". A ideia era oferecer a quem pudesse pagar lotes em bairros bacanas e super arborizados, com casas grandes em terrenos enormes e jeito de propriedade rural confortável e luxuosa. Deu certo e o Jardim América serviria de base para outros projetos (Jardins Europa, Paulistano, Pacaembu, Alto de Pinheiros e City Lapa).

6. Ponto turístico

Durante muito tempo a partir do lançamento, em 1919, o Jardim América teve status de ponto turístico, atraindo visitantes de outros bairros e cidades para ver o bairro que era o campo luxuoso dentro da mancha urbana da capital 

7. Rota 66

Na madrugada de 23 de abril de 1975, o Jardim América testemunhou o caso da Rota 66 - que anos depois daria origem ao livro em que o jornalista Caco Barcellos (Rota 66 - A história da polícia que mata) investigaria o trabalho da Polícia Militar de São Paulo entre os anos 70 e 90. Na esquina das ruas Argentina e Alasca, três jovens paulistanos foram mortos pela Rota: Chiquinho, Pancho e Gugu eram de classe média-alta e frequentavam o Paulistano. Naquela noite, como mostra esse especial do Estadão, os rapazes foram surpreendidos pela viatura 13 quando tentavam furtar o toca-fitas do carro de um amigo. Eles perceberam, fugiram, furaram um bloqueio da polícia e a equipe 66 começou a persegui-los. Quando os rapazes entraram na Rua Argentina, a Rota disparou as primeiras rajadas de submetralhadora contra o carro. Na esquina com a Rua Alasca, a perseguição terminou. "Chiquinho perdeu o controle do carro e bateu em um poste. Desceu do carro e, ao lado de Pancho, foi fuzilado pelo PMs. A perícia constatou em Chiquinho um ferimento de bala embaixo da axila, que só podia ter sido causado se ele estivesse com as mãos para cima."

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