Sesc mais perto do Pq. D. Pedro

Prefeitura envia à Câmara projeto de concessão de terreno do São Vito e Mercúrio para entidade

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h04

A Prefeitura de São Paulo enviou ontem à Câmara Municipal dois projetos de lei que concedem o uso dos terrenos onde ficavam os Edifícios São Vito e Mercúrio, no centro da capital, para o Serviço Social do Comércio (Sesc) e para o Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional (Senac). Assim que forem aprovados, será o fim do impasse que impede o início do plano de revitalização da região do Parque Dom Pedro II.

A concessão para que as entidades façam unidades no local vale por 99 anos, mas as obras precisam ser concluídas até o fim de 2015. A condição foi colocada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) na proposta, que chegou ontem aos vereadores.

O edifício do Sesc vai ter 24 mil m², com oferta de cursos gratuitos para moradores da região e para os 147 mil servidores ativos e aposentados da Prefeitura.

Uma das contrapartidas previstas na concessão autoriza secretarias do governo municipal a usar as instalações e seus equipamentos. O Sesc já tem até o projeto de seu futuro prédio, onde haverá clínica odontológica, restaurante, café, biblioteca de uso livre para a população, ginásio poliesportivo, teatro, salas multiuso, áreas de recreação infantil, piscinas, além de espaços para oficinas culturais.

A chegada de um equipamento como o Sesc é a principal aposta para revitalizar uma região do centro que sofre com o abandono há quase 70 anos. A degradação aumentou na década de 1960, com a construção de viadutos que criaram uma divisão de cimento entre a região da 25 de Março e o Brás, degradando a paisagem urbana no local.

Mobilidade. Com a chegada dos prédios do Sesc e do Senac, a Prefeitura pretende construir um pontilhão sobre o Rio Tamanduateí para interligar a região central ao Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro II. Essa nova estrutura possibilitará a demolição do Viaduto Diário Popular, uma intervenção prometida pelo governo municipal desde 1989.

Sem a demolição dos viadutos, o pedestre hoje não consegue andar uma distância de 300 metros entre o Mercado Municipal, um dos principais pontos turísticos da cidade, e o Museu Catavento, localizado dentro do histórico prédio onde funcionou o Palácio das Indústrias e a Prefeitura. A nova ponte vai passar por cima de onde estavam os Edifícios São Vito e Mercúrio, cujas demolições foram concluídas no fim do ano passado. Assim, vai interligar o Mercadão e o museu.

Também será mais fácil para sacoleiros transitarem entre o Brás e a Rua 25 de Março. A Rua do Gasômetro, que liga as duas regiões, deve ter a reforma concluída até o fim deste ano.

Área de lazer. Projetado pelo francês Joseph-Antoine Bouvard (1840-1920), o Parque Dom Pedro II foi inaugurado em 1922 como a principal área de lazer da cidade. Com a migração das famílias ricas que moravam na região da Praça do Patriarca para o outro lado do Viaduto do Chá, e depois para bairros como Higienópolis e Água Branca, a área verde foi relegada ao abandono. O parque passou a ser um divisor entre a pujança da parte nobre da capital e a zona leste, considerada "a cidade dos trabalhadores".

Sucessivos projetos de revitalização da área foram deixados de lado pela Prefeitura a partir da década de 1950. A chegada dos viadutos na década de 1960 aumentou a degradação da área, hoje habitada apenas por usuários de drogas e moradores de rua durante à noite. É o ponto mais ermo, perigoso e inabitado do centro paulistano atualmente. / A.F. e DIEGO ZANCHETTA

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