Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Sesc inaugura no dia 27 unidade no Bom Retiro

De arquitetura pensada para dialogar com entorno, novo espaço deve ajudar a revitalizar área do centro que sofre com cracolândia

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

Enquanto uma solução para a cracolândia continua sendo debatida - e adiada -, a região central de São Paulo ganhará no fim deste mês um equipamento cultural que promete ajudar a revitalizá-la. No dia 27, uma nova unidade do Sesc abrirá suas portas no Bom Retiro.

A 32.ª unidade da rede no Estado de São Paulo não é das maiores que o Sesc já inaugurou, mas inicia suas atividades com a mesma perspectiva de se tornar referência e mudar um pouco a cara da vizinhança, como ocorreu no Belenzinho, na zona leste - a última unidade a ser inaugurada -, e na Pompeia e em Pinheiros, zona oeste.

O Sesc Bom Retiro chega para fortalecer um perímetro cultural que passa por Pinacoteca, Sala São Paulo e o futuro Teatro da Dança. Uma concentração cultural não encontrada em outros lugares da cidade, mas muitas vezes ofuscada pelo crack e pela insegurança.

A estimativa é que 8 mil pessoas passem a cada semana pelo novo Sesc, que contará com 160 funcionários.

O diretor da instituição, Danilo Miranda, ressalta que a programação cultural, educacional e esportiva terá a mesma linha de outras unidades do Sesc, mas haverá uma cuidado específico para que haja um diálogo com a região. "Vamos seguir a nossa linha de qualidade, que o público já está acostumado a encontrar. Ma queremos ter programações exclusivas para o público tradicional do Bom Retiro, da Rua José Paulino", antecipa.

Arquitetura. Para começar, a arquitetura do projeto foi pensada para não ignorar o entorno. Responsável pela nova unidade, o arquiteto Leon Diksztejn explica que a escolha por uma estrutura de aço tem o objetivo de manter relação com as construções próximas. "As duas estações vizinhas são de estrutura de aço, que, inclusive, são mais baratas", explica. Fachadas de vidros também foram eliminadas.

Como o terreno não é extenso - tem cerca de 3,9 mil metros quadrados -, a escolha foi pela disposição simples dos espaços. Um vão central, relembrando o conceito de praça das cidades, serve de convívio e faz a ligação entre os setores, que funcionam nas bordas. De um lado da praça, uma quadra poliesportiva é coberta por um grande arco em aço. A estrutura segura os 400 mil litros de água da piscina olímpica, que fica no andar de cima. Uma parte do teto é retrátil e favorece o banho de sol. No outro extremo do prédio, ficam a biblioteca e um teatro para 291 lugares. "Tínhamos que adequar o projeto à linha do Sesc, mas uma piscina pública numa área central é um diferencial."

Entusiasmo. Os vizinhos estão animados. A aposentada Maria Helena de Vasconcelos, por exemplo, que mora a dois quarteirões do prédio, diz que espera há dois anos a inauguração do Sesc. "Preciso muito realizar alguma atividade, como hidroginástica. Vai ser uma delícia."

O novo Sesc fica na frente do Museu de Energia e ao lado do Liceu Salesiano. "Com a expectativa de público do Sesc, resolvemos reformar o nosso teatro, batizado de Grande Otelo, que foi nosso aluno. Com o teatro deles aberto, esperamos reforçar o nosso", conta o padre Benedito Spinosa, diretor da escola e reitor do Santuário Salesiano.

O teatro de 740 lugares ficou fechado ao público por dez anos. A falta de segurança na região também fez diminuir o número de alunos do Liceu e reduzir a frequência das missas. "Agora podemos ampliar até o número de alunos, com os filhos dos funcionários", planeja o padre.

Já o Museu de Energia espera um incremento de 50% no número de visitas, que atualmente gira em torno de mil por mês. Outro plano da direção é concretizar um plano antigo: passar a abrir também aos domingos.

"Acompanhamos toda a construção e estamos ansiosos com a inauguração do Sesc, pela perspectiva de aumento de público e melhora na região", explica Mariana Rolim, superintendente executiva da Fundação Energia e Saneamento, responsável pelo museu.

Programação. Entre os destaques da programação inicial estão o show de Dominguinhos, a apresentação do Balé Cisne Negro e a exibição de documentário sobre o Bom Retiro, produzido para a inauguração.

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