Servidores públicos entram em greve em Campinas

Categoria reivindica reajuste de 7,20% referentes às perdas acumuladas de maio de 2008 a maio de 2009

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo,

20 Maio 2009 | 19h21

Servidores públicos municipais de Campinas deram início nesta quarta-feira, 20, à greve da categoria, com a reivindicação de 7,20% referentes às perdas acumuladas de maio de 2008 a maio de 2009; aumento real de salário de 11,50%; e reajuste no vale-alimentação de R$ 400 para R$ 450. A administração propõe 3% de reposição de perdas salariais e nenhum reajuste no salário ou no vale-alimentação. A justificativa é, de acordo com o coordenador de Comunicação, Francisco de Lagos, o limite de gastos com a folha de pagamento, baseada na Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Apesar de números desencontrados, de passeata no Centro seguida de assembleia em frente ao Paço, não foram registrados confrontos ou agressões contra funcionários que quiseram trabalhar no primeiro dia de paralisação. De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas, Marionaldo Fernandes Maciel, 30% do serviço na área de saúde foi mantido e 12 mil funcionários aderiram ao movimento.

 

Já o levantamento divulgado pela prefeitura no início da noite desta quarta-feira, 20, indica que dos 25 setores da administração municipal nos quais trabalham 16.554 servidores públicos, 1.848 funcionários (11,1%) entraram em greve. "Esse levantamento foi feito durante todo o dia, secretaria por secretaria, e será feito em todos os dias da greve. Na saúde, por exemplo, dos 4.429 funcionários, 788 pararam, um índice de 17,7%", afirmou Lagos.

 

Segundo o coordenador, em 16 das 25 repartições nenhum funcionário parou de trabalhar. "O número apresentado pelo sindicato é absurdo. Era só ver a manifestação em frente ao Paço Municipal", disse Lagos. De acordo com o sindicato, entre 2 mil e 2.500 pessoas trabalhadores participaram da manifestação. Segundo a Polícia Militar havia entre mil e 1.500 pessoas no local.

 

A prefeitura informou ter descartado o reajuste salarial para não alcançar ou superar os limites prudencial (51,3%) ou total (54%) de gastos com a folha e ter, com isso, cortadas verbas voluntárias como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a possibilidade de proibição de pagamento de horas extras, de contratação de servidores e de contratação de quem passou em concurso público. "Uma administração pública tem de saber planejar. O trabalhador não pode arcar com isso", afirmou Maciel.

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