Serviço extra faz do GPS uma febre

Além de traçar o caminho, aparelho dá avisos de congestionamentos e transmite TV e rádio

Valéria França, O Estado de S.Paulo

26 Março 2011 | 00h00

"Tem cliente que virou dependente, não vive mais sem um desses", conta Tatiana de Souza, proprietária da loja Planeta GPS, que vende e dá assistência a todas as marcas de GPSs. "Eles deixam o aparelho para consertar, mas não querem sair sem um modelo estepe."

O GPS virou uma febre entre os motoristas paulistanos. Além de sua função original - localizar o usuário com a ajuda de um sistema de satélites e oferecer um caminho entre o ponto de origem e o endereço para onde pretende se dirigir -, essa engenhoca tem recursos extras que cada vez mais atraem o consumidor.

Basta prender o aparelho no painel do carro e ele pode oferecer os pontos de congestionamentos da cidade, transmitir os canais de televisão aberta, tem sistema de transmissão de dados por Bluetooth e até câmera de ré, que ajuda muito na hora de estacionar. Mas um dos serviços mais procurados é o localizador de radares, que avisa com um bipe que o carro está se aproximando da fiscalização eletrônica.

As marcas mais populares, como Foston e Bak, que custam R$ 200, em média, têm modelos com TV e rádio. O preço é baixo, mas técnicos os consideram descartáveis. "Vão durar cerca de um ano e lideram entre as marcas que apresentam mais defeitos", diz o especialista Paulo Xovolosk.

Ele explica: "Para baratear o custo, as empresas usam componentes que não podem ser repostos. A bateria, por exemplo, não é selada. Quando o aparelho é exposto ao sol, a bateria estoura e o líquido escorre, inutilizando o equipamento."

Entre as marcas favoritas dos técnicos - e não dos consumidores, porque custam praticamente o dobro - estão Garmin, Mio e TomTom. "Apesar de o preço ser mais alto, os fabricantes trocam o aparelho em caso de defeito." Um GPS pode durar muitos anos. "As pessoas compram outro porque o design fica velho. Já os mapas são atualizados nos sites das empresas. É só baixar", explica Xovolosk.

Rotas. Os mapas usados pelas marcas não são os mesmos, e por isso os caminhos indicados variam de acordo com o aparelho. A reportagem testou dois modelos, um Garmin e um Players, marcas consideradas intermediárias no mercado. Os equipamentos foram colocados em carros diferentes, que saíram, no mesmo horário, da Rua Aurora, no centro de São Paulo, para a Rua Monte Alegre, em Perdizes, na zona oeste. O primeiro aparelho ofereceu rotas mais rápidas que o segundo (veja ao lado).

No centro da cidade, os dois demoraram para localizar o local de origem. Quando há muitos prédios nas ruas, às vezes aparecem áreas de sombra, que enfraquecem o sinal. Eles não pegam em estacionamentos cobertos e áreas internas.

Os dois, no entanto, apitaram com a aproximação dos radares. "Não é um detector. Isso é proibido", diz Xovolosk. "Eles funcionam com as informações baseadas no mapa das posições geofísicas dos radares, que precisa ser atualizado para que o motorista não fique na mão." E isso tem um custo extra, em média R$ 49 por atualização.

Trânsito. Também já é possível fugir dos congestionamentos. O serviço batizado de Indica - parceria da Movix, Grupo Bandeirantes de Rádio e Maplink - usa informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que chegam ao aparelho por sinais de rádio. Para receber o serviço (www.indicaseucaminho.com.br), o GPS precisa ser habilitado. O primeiro aparelho compatível que chegou ao Brasil com essa tecnologia foi o Mio Traffic. Já há outros modelos, caso do Moov Spirit S555 e o Moov Spirit S305. Os dois estão em promoção no site da marca (www.miobrasil.com.br): o primeiro sai por R$ 799 e o segundo, por R$ 399.

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