Serra vai agüentar greve de até 720 dias, ameaçam policiais

Nesta 3ª, projetos de lei sobre carreira e salário das polícias estão na pauta da Assembléia Legislativa

Carolina Freitas, Agência Estado

03 de novembro de 2008 | 20h28

Às vésperas da possível votação do reajuste salarial dos policiais civis na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), a categoria ameaça manter a greve por tempo indeterminado caso não tenha suas reivindicações atendidas. "(O governador José) Serra vai ter de agüentar uma greve de até 720 dias", alertou o diretor da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo (Adpesp), André Dahmer, em entrevista à Agência Estado. "Já que o governo faz o que quer, vamos manter a greve até que ele mude sua posição." As lideranças se reuniram nesta segunda-feira, 3, para definir os rumos do movimento, mas sequer colocaram em votação o fim da greve, que já dura 48 dias. Veja também:Entrevista exclusiva com José Serra Galeria de fotos do conflito no Morumbi Civis e militares entram em confronto; assista Todas as notícias sobre a greve   Cinco projetos de lei sobre carreira e salário das polícias civil, militar e científica estão na pauta desta terça-feira, 4, do congresso de comissões da Assembléia. Depois do parecer das comissões de Segurança Pública e de Finanças, os projetos seguem para votação. Caberá aos líderes decidirem à tarde se as propostas entrarão na pauta ainda desta terça-feira. Os deputados devem levar em conta o pedido de urgência feito pelo governador do Estado na última semana. Os policiais civis prometem marcar presença na Casa legislativa. "Estaremos presentes com esperança de conseguir alterar alguma coisa", disse Dahmer. A categoria exige mudanças na estrutura da organização e promete manter a greve mesmo que aprovada a proposta do governo, com reajuste de 6,5% sobre o salário-base em janeiro de 2009 e mais 6,5% em 2010. "Aprovado o projeto, a luta continua. A defasagem é de 96%, então ele ainda ficaria nos devendo 89,5 (pontos porcentuais)", acusa o delegado. Segundo Dahmer a categoria até aceitaria o reajuste de 6,5%, desde que o governo cedesse em outras questões. Os policiais civis reivindicam, por exemplo, critérios objetivos para a promoção de funcionários e o fim da 4ª e 5ª classe salarial. A proposta do governo é extinguir apenas a 5ª classe, que recebe salários mais baixos, redistribuindo os cargos nas demais classes e promovendo automaticamente 1,1 mil delegados e 16 mil policiais operacionais. Além do reajuste salarial, o projeto do governo prevê intervalo de 10,5% entre os salários das diferentes classes e acréscimo na remuneração dos inativos de 50% da média do Adicional de Local de Exercício dos últimos 60 meses. Policiais civis poderiam se aposentar com 30 anos de contribuição (antes eram 35), desde que tivessem 20 anos de atividade policial. A idade mínima para aposentadoria seria reduzida. Mobilização Mesmo com 48 dias de greve, o diretor da Adpesp garante que os policiais continuam mobilizados. Para Dahmer, a adesão chega a 90% no interior do Estado e a 60% na capital. Os grevistas mantêm ainda a ameaça de perseguir o governador Serra em eventos públicos para "lembrar da dívida que ele tem com os policiais". E não descartam um novo confronto entre policiais civis e militares, como o que aconteceu em outubro nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, deixando 20 feridos. "Se o governador colocar a PM para coibir uma manifestação legal, podem acontecer novos incidentes como aquele", disse Dahmer. O delegado rebateu ainda a declaração feita nesta segunda pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de que "um poder armado não pode fazer greve". "Todos os servidores públicos civis podem fazer greve. Nossa greve é pacífica, não estamos fazendo guerra", defendeu-se o diretor da Adpesp. "Talvez ele (Mendes) esteja mal informado sobre o que aconteceu naquela briga com a polícia militar." Dahmer argumenta que apenas policiais civis dos grupos de elite Garra e GOE estavam armados naquele protesto e que, mesmo designados para garantir a segurança da manifestação, "não ficaram inertes" aos tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo lançados pela PM.

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