Serra propõe delegacia especial para conflitos entre torcidas

Governador também admitiu descoordenação entre Polícia Civil e a Prefeitura em ação na Cracolândia

Rejane Lima, de O Estado de S. Paulo,

26 Fevereiro 2010 | 17h46

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), defendeu nesta sexta-feiram, 26, a criação de uma delegacia especializada em conflito entre torcidas de futebol. Após inauguração de um conjunto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em Praia Grande (SP), o tucano tratou dos últimos casos de violência nos estádios. Para o governador, impedir o comparecimento de torcedores aos jogos não é uma boa solução. "Contraria o espírito do futebol. O que é preciso é mudar a maneira de controlar a violência", disse Serra. Torcedor do Palmeiras, o governador saudou os torcedores do clube no início do evento, como tem feito em suas últimas aparições públicas.

 

De acordo com o governador, a delegacia deveria obter informações de dentro e fora dos estádios antes de todas as partidas. "Porque boa parte da violência, muitas vezes a principal, se dá nos estádios", disse Serra. Ele sugeriu ainda que as prefeituras impeçam a venda de bebidas alcoólicas nas cercanias dos estádios. "Fora do estádio, acabam vendendo bebidas de péssima qualidade que esquentam os ânimos e o clima de violência." Serra também chamou a atenção para as normas presentes no Estatuto do Torcedor, como a que prevê "que os clubes apresentem um plano de chegada e deslocamento das torcidas".

 

Serra comentou ainda sobre a polêmica criada entre a secretaria municipal de Saúde de São Paulo e a secretaria estadual de Segurança Pública em virtude da fuga de funcionários municipais em albergue para viciados em crack na tarde desta quinta-feira, 25. Os agentes de saúde deixaram a base Ação Integrada Centro Legal, no centro da cidade, após a chegada de cerca de 300 usuários de crack detidos pela Polícia Civil. De acordo com a Prefeitura, os profissionais temiam ser identificados como delatores dos usuários.

 

O governador admitiu que houve uma descoordenação entre a ação da Polícia Civil e a Prefeitura. "Eles foram detidos a partir de uma investigação que foi feita não sei se meses ou semanas", disse Serra. O tucano disse ainda que, na manhã de hoje, houve uma reunião entre o secretário estadual da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, e o da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, para afinar essa coordenação.

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