Serra e Kassab negociam ampliação de Congonhas com Jobim

As duas pistas do aeroporto em cerca de mil metros, incluindo área de escape, mas obras não têm previsão

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 19h38

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acertaram nesta quarta-feira, 5, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, os detalhes da ampliação do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Em reunião de cerca de uma hora em Brasília, ficou definida a ampliação, em cerca de 1.000 metros, das duas pistas, incluindo a área de escape. Apesar da obra, foi descartada a possibilidade de aumento de vôos e volume de passageiros no local.   A ampliação tem como objetivo o aumento da segurança de Congonhas. O aeroporto foi palco da principal tragédia da aviação brasileira, em julho do ano passado, quando um avião da TAM não conseguiu parar na pista e atravessou a Avenida dos Bandeirantes, chocando-se com um prédio. O acidente provocou a morte de 199 pessoas.   "O investimento é para otimizar a segurança do aeroporto, conforme o Plano Diretor apresentado pelo próprio ministro (Jobim) ao governador após o acidente da TAM. Agora, concluída a etapa da reorganização das linhas (que operam em Congonhas) com a diminuição do número de vôos, se inicia a segunda etapa para que os vôos que restaram tenham a maior segurança possível", disse Kassab ao final do encontro.   Para a ampliação das duas pistas, que são paralelas, será necessária a desapropriação de cerca de 2 mil imóveis, segundo a Prefeitura de São Paulo. Kassab confirmou que o custo das desapropriações deve girar em torno de R$ 400 milhões. A ampliação das pistas, explicou o prefeito, é no sentido Jabaquara, e também vai atender a um desejo dos moradores. "Todos estão torcendo para a desapropriação. É um pedido que fazem. Ninguém quer morar ao lado do aeroporto de Congonhas."   A prolongação das pistas dará mais segurança aos vôos que operam em Congonhas. Kassab reforçou que a ampliação, em "hipótese nenhuma", significa aumento do volume de passageiros e ou vôos no aeroporto. "Daqui para a frente é inadmissível que Congonhas aumente o número de vôos", disse o prefeito.   "A ampliação não é para aumentar o movimento. É para melhorar a segurança e isso, inclusive, seria estabelecido a priori, poderia se fazer um termo de conduta com o próprio Ministério Público Estadual e Federal. Todo o investimento será na segurança", reforçou o governador. Congonhas, segundo o ministério da Defesa, tem volume hoje de cerca de 14 milhões de passageiros. O limite para o Aeroporto é de 15 milhões.   Kassab, Serra e Jobim não falaram em volume de investimentos para a ampliação das pistas. A única menção a recurso financeiro foi feita por Kassab em referência ao valor das desapropriações necessárias para a obra. Em relação ao aporte financeiro para o prolongamento das pistas, o prefeito avaliou que "possivelmente não terá custos" para as três esferas de governo. Isso porque, explicou, caberá à iniciativa privada o investimento.   "Vamos fazer concessão da parte que estará embaixo do prolongamento da pista. Caberá à iniciativa privada absorver esses recursos." A participação da iniciativa privada, segundo prevê a prefeitura paulistana e o governo do Estado, se dará por meio de exploração de lojas e estacionamentos adicionais. "Como é um aeroporto muito valorizado pela movimentação, é evidente que o negócio será muito disputado", avaliou Kassab.   Jobim não se comprometeu com prazos para o início da ampliação das pistas. O ministro disse apenas que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Dcea) fará um estudo para definir detalhes da operacionalidade. O levantamento deverá ficar pronto em 15 dias. O ministro também confirmou estar em estudo a construção de um pátio exclusivo de autoridades.   Na reunião, Kassab também demonstrou interesse em mudanças no Campo de Marte, na zona Norte. Segundo ele, a idéia é que sejam transferidos alguns serviços do local, sem vinculação com operação dos vôos da pista, para que possa ser feita a ampliação do Anhembi e a construção de um parque e uma arena para shows. Já o governador José Serra deixou claro o interesse para que a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) faça a concessão do Terminal 3, de Guarulhos. Mas Jobim sinalizou que ela não está ainda nos planos do governo federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.