Serra diz que interesses prevalecem na política aeroportuária

Ele afirmou que é função do Estado contrabalançar os interesses do setor privado com as necessidades do sistema

Vinícius Pinheiro, da Agência Estado,

19 de julho de 2007 | 19h03

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 19, que é preciso vencer os interesses "puramente" comerciais que, segundo ele, têm norteado a política aeroportuária brasileira. Ele afirmou que é função do Estado contrabalançar os interesses do setor privado com as necessidades do sistema.   Serra criticou a reforma feita pelo governo federal no aeroporto de Congonhas, que teria atendido às empresas aéreas com a construção de centros comerciais e instalações, em detrimento das obras na pista, que ficaram para depois. Ele também chamou atenção para o fato de, mesmo após a reforma, um dos lados da cabeceira da pista do aeroporto não dispor do Instrument Lending System (ILS) - aparelho que melhora as condições de aterrissagem das aeronaves. "Parto do pressuposto que teria sido mais útil investir na pista, no ILS ou na ampliação de Viracopos", afirmou.   O governador também condenou a decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de ceder recentemente mais quatro slots para as companhias aéreas em Congonhas, apesar do congestionamento no aeroporto. Outro exemplo do que chamou de "uso e abuso" de Congonhas são os vôos charter, que poderiam ser transferidos para outro local "com um pé nas costas", afirmou.   Para o governador, Congonhas possui problemas estruturais que podem ser resumidos em duas questões: a falta de áreas de escape, que aumenta o risco para viajantes e moradores da região, e o excesso de freqüências. Ele defendeu a redistribuição dos vôos ao longo do dia no aeroporto, de modo a eliminar os horários de pico - outro fruto de interesses comerciais, na visão do governador - e a revisão do critério de pesos nas aeronaves.   Questionado sobre a ação civil pública do Ministério Público Federal que pede a interrupção das atividades do aeroporto, Serra limitou-se a dizer que não teria reaberto a pista para pousos e decolagens ontem, como decidiram as autoridades.

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