Serra diz que demitirá metroviários mesmo com fim de greve

Governador acrescentou que não é contra o direito à greve, mas salientou que desta vez houve abuso

José Maria Tomazela, do Estadão,

03 de agosto de 2007 | 18h47

O governador José Serra deixou claro, no final da tarde desta sexta-feira, 3, que irá demitir alguns metroviários que desde quinta-feira fazem greve, mesmo que os servidores voltem a trabalhar. "Vamos ter que fazer demissões, isso é certo", afirmou, em Sorocaba. Serra não especificou em que setores haverá cortes, nem quantos funcionários serão demitidos. "Isso é depois, primeiro é preciso garantir a volta à normalidade."   Veja também: Justiça considera abusiva a greve dos metroviários de SP   Serra recebeu ainda nesta sexta a informação de que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região (São Paulo) tinha julgado abusiva a greve dos metroviários. "A greve, agora, acaba", anunciou quando discursava na inauguração de um contorno da Rodovia Raposo Tavares, no distrito de Brigadeiro Tobias. A notícia foi passada ao governador pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portela.   Serra disse que não é contra o direito de greve dos trabalhadores, mas no caso dos metroviários, garante que houve abuso. "Sabem qual o salário médio do metroviário de São Paulo? A média é R$ 3.600 e o mínimo, R$ 1.100. E ainda tem plano de saúde, previdência complementar e recebem o 13º salário em janeiro, não no fim do ano."   O governador deu a entender que a paralisação foi política. "Só porque tem eleição no sindicato em setembro estão prejudicando a população de São Paulo." Ele considerou como "insensata" a reivindicação dos grevistas, de participação nos lucros da companhia. "O Metrô dá prejuízo e é o governo que cobre."   Crises   O governador disse que está enfrentando, desde o primeiro dia do seu governo, uma seqüência de problemas em São Paulo. "Primeiro foi o buraco do metrô, depois a ocupação absurda das universidades", elencou. "Em seguida tivemos o desastre da TAM, que foi muito triste e chocante, e agora essa greve afetando 3 milhões de pessoas."   Assegurou, porém, que o governo tem sabido enfrentar as dificuldades. "São Paulo é maior que essas crises. O governo está trabalhando com uma equipe de primeira desde o primeiro dia. Não vamos ficar aprendendo durante meses, pois a gente já sabe governar." Ele voltou a dizer que o governo paulista está disposto a colaborar com o governo federal para resolver o caos aéreo. Serra defendeu a interiorização do tráfego na capital e apontou o aeroporto de Sorocaba como opção para o tráfego de Congonhas.   Ele recomendou aos deputados tucanos Antonio Carlos Pannunzio e Renato Amary, que são de Sorocaba, gestões em Brasília para a ampliação do aeroporto da cidade. Os dois acompanhavam Serra na inauguração de 2,5 km de pista duplicada que irão desviar a Raposo da área urbana de Brigadeiro Tobias. A obra, executada pela concessionária Viaoeste, custou R$ 62 milhões.

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