Serra culpa CUT e PT por confronto entre polícias

PT de São Paulo repudia e diz que governador quer jogar "problema dele nas costas do partido"

Debora Nogueira, do estadao.com.br,

16 de outubro de 2008 | 17h53

O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), acusou a manifestação dos policiais civis de ter cunho "político-eleitoral" em entrevista à TV Bandeirantes. Ele disse que estão tirando "proveito eleitoral" e nominalmente associou a CUT e a Força Sindical ao PT e ao PDT e disse que deputados participaram da manifestação com interesse eleitoral. "Isso foi claramente articulado, instrumentalizado, com essa perspectiva político-eleitoral", acusou o governador. Ele justificou a ação da Polícia Militar e disse que eles tentavam dissuadir os manifestantes e "evitar o uso da força". A Polícia Militar usou bombas de gás e atirou contra os manifestantes que tentavam chegar ao Palácio dos Bandeirantes, no início da tarde desta quinta-feira. O presidente do PT em São Paulo, José Américo Dias, disse ao estadao.com.br que o governo de José Serra tenta de forma "oportunista" jogar nas "costas do PT um problema que é dele". A CUT acusou o governador de 'ludibriar a opinião pública'. Veja também:Serra não teve tato político para evitar conflito, diz líder do PTProtestos nos arredores da sede do governo de SP são proibidosHospitais atenderam 17 feridos em confronto entre políciasTarso é evasivo ao comentar confronto das polícias em SP'Serra joga nas nossas costas problema que é dele', diz PT-SP Força Sindical repudia confronto entre PM e Polícia CivilGaleria de fotos do conflito no Morumbi  Antes da manifestação, Serra disse que 'não negocia com greve'   Todas as notícias sobre a greve    "Tem até líder do PT da Assembléia Legislativa querendo tirar casquinha", acusou Serra, sem citar nomes. Serra apóia o candidato do DEM, o atual prefeito Gilberto Kassab, que está 12 pontos porcentuais à frente da adversária do PT, Marta Suplicy, segundo pesquisa Ibope divulgada ontem. "Tem política no meio desse assunto", criticou, e emendou: "Puseram armas e interesses políticos no meio." Serra afirmou ainda que os manifestantes são "minoria" e que nem todos eram policiais. Segundo o governador, havia entre 1200 e 3500 manifestantes próximos ao Palácio. "Arma é para defender o povo e não pode ser usada em manifestação de categoria", afirmou. "Isso não é o que a população espera da Polícia", disse.  O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, divulgou nota no fim da tarde desta quinta-feira, 16, repudiando o confronto entre a Polícia Militar e Polícia Civil na capital paulista. No comunicado, a Força Sindical destaca: "É intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta. Demandamos que o governo do Estado retome o caminho da negociação e atenda as justas reivindicações dos policiais civis, pois valorizar a função e a carreira do policial é parte fundamental de uma política de segurança pública democrática e eficiente."   Negociação O governador considerou como "razoável" a proposta de reajuste salarial do Governo. Para ele, "em nenhum momento se deixou de negociar, mas negociar com arma na mão não dá". Na semana passada, a categoria suspendeu a greve por 48 horas, na tentativa de dialogar com o governo. "Mas não recebemos nenhuma proposta concreta. O governo continua intransigente", diz Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo.  O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes. Os policiais civis pedem 15% de reposição salarial este ano, mais 12% em 2009 e outros 12% em 2010, além de eleição para delegado geral, definição de critérios para promoção, regulamentação da aposentadoria após 30 anos de carreira e fixação de carga horária em 40 horas semanais. Confronto O confronto começou quando a PM barrou a passagem de uma passeata dos policiais civis rumo ao Palácio do Bandeirantes, sede do governo estadual. Houve tiroteio e pelo menos 12 pessoas saíram feridas, entre elas o coronel Antão, um dos negociadores da greve, que foi levado ao Hospital Albert Einstein. Mais cedo, a assessoria de imprensa informou que os manifestantes iriam enviar um representante do comando de greve da Polícia Civil, momentos antes do confronto com a Polícia Militar. Esse encontro só não teria acontecido por causa da confusão, que resultou em tiroteio e deixou diversos feridos. O deputado estadual Roberto Felício (PT) informou que diferentemente do oficial, os manifestantes teriam se exaltado quando receberam a notícia que não seriam recebidos pelo governador José Serra para negociar a greve. (Com Carolina Ruhman, da Agência Estado)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.