EDISON TEMOTEO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS
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Série de ataques deixa 18 mortos e 6 feridos na Grande São Paulo

Ataques em Osasco e Barueri em menos de duas horas são investigados; polícia não descarta reação a mortes de PMs

Felipe Resk, Rafael Italiani, Juliana Diógenes e Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 06h34

Atualizada às 17h40

SÃO PAULO - Dezoito pessoas morreram e seis ficaram feridas em ataques que ocorreram entre as 21h e as 23 horas desta quinta-feira, 13, em Osasco e Barueri, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O governo chegou a divulgar 20 mortes, mas depois informou que 18 estavam relacionadas entre si, excluíndo, entre outras, um assassinato em Itapevi.

A polícia está investigando o caso, e trabalha com a hipótese de que os ataques tenham relação entre si. Também há a suspeita de que as mortes tenham ocorrido em reação ao latrocínio de um policial militar em Osasco e um guarda civil metropolitano em Barueri. 

A polícia encontrou várias cápsulas nos locais dos crimes, de armas de calibre 38, .380 e uma pistola 9 mm. Questionado se as cápsulas coletadas são de armas exclusivas das Forças Armadas, o secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou que somente as de 9mm.

"As demais, não. O 38 e a 380 são de uso normal, não são utilizadas pela Polícia Militar. A Polícia Militar usa a .40. (A 38 e a 380) são utilizadas pelas guardas civis metropolitanas. Exatamente por isso nós não estamos descartando nenhuma hipótese. Vamos analisar todas as hipóteses para que rapidamente nós possamos dar uma resposta a esse conjunto de crimes bárbaros", disse o secretário em entrevista coletiva na manhã desta sexta. 

De acordo com o secretário, esta é a maior chacina do ano em São Paulo. Desde o início de 2015, seis chacinas ocorreram no Estado. 

Seis tinham antecedentes criminais. Estamos analisando se há relação disso com os fatos", disse Moraes. Se houver indício (da participação da PM nos crimes), a Corregedoria da PM vai auxiliar nas investigações". 

Testemunhas relataram que, antes de atirar, os criminosos teriam questionado sobre quem tinha passagem policial. O secretário de Segurança Pública disse que perguntar sobre o passado criminal e usar coturno é "típico de quem quer fingir que é um policial". 

Embora nao descarte a participação de policiais, a Corregedoria da PM não está na força-tarefa montada pela Secretaria de Segurança Pública. "A Corregedoria investiga quando há indícios de participação da PM". Segundo Moraes, o Governo do Estado trabalha com algumas hipóteses de investigação: represália em função do latrocínio de um PM em Osasco, reação ao latrocínio de um GCM em Barueri, guerra por tráfico de entorpecentes e todas as outras hipóteses juntas.

Ainda de acordo com Moraes, todos os corpos foram retirados do local - alguns levados para o IML de Osasco e outros para o IML de São Paulo. 

Sequência. Quinze pessoas morreram em Osasco e três em Barueri. O primeiro ataque ocorreu em um bar na Rua Antônio Benedito Ferreira, em Osasco, com 8 mortos e 2 feridos. O segundo evento se deu em Barueri, na Rua Moacir Sales D'ávila, com uma vítima assassinada.

A polícia identificou por relato de testemunhas e imagens de câmeras de segurança o envolvimento de dois carros de cor prata. No primeiro ataque, há relatos de que os criminosos teriam chegado ao bar, em Osasco, em um Peugeot prata.

Os casos de Osasco foram registrados nos bairros de Jardim D'ávila, Jardim Munhoz Júnior, Rochdale, Jardim Helena Maria e Vila Menk. Todos os bairros ficam na zona norte da cidade. Na Vila Menk, duas mulheres ficaram feridas na Rua Suzano e estão internadas. Outro ataque no mesmo bairro feriu quatro pessoas, sendo que uma morreu.

Em Barueri, duas pessoas morreram às 23h16 no Parque dos Camargos, após um ataque na Rua Irene. Outra pessoa morreu às 22h16 na Rua Carlos Lacerda, no bairro de Engenho Novo. 

A investigação é feita pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, e concentrada no 10º DP (Jardim Baronesa) de Osasco. "Ainda não é possível dizer que foram orquestrados, mas (os ataques) foram sequenciais e quase que simultâneos", disse o sargento Monteiro, do Centro de Operações da Polícia Militar em Osasco.

Latrocínio. Na última sexta-feira, um cabo da policia militar à paisana foi assassinado em um posto de gasolina na Avenida dos Autonomistas após ser abordado por dois homens armados. Nesta quarta-feira, 12, um integrante da Guarda Civil Municipal de Barueri morreu durante um assalto a uma adega no bairro Jardim Paulista, do qual ele era dono. 

Veja onde foram os ataques:

Guerra. Em entrevista à Rádio Estadão, o prefeito de Osasco, Jorge Lapas, disse que não sabe o que originou os ataques, mas acredita que podem ser "uma espécie de revide" e se preocupa com o que virá depois. "Começa uma guerra e a gente não sabe onde vai parar. Estamos muito preocupados". 

O prefeito disse ainda que a cidade não tinha problemas como esse há muito tempo. "E não queremos que volte a ter. É uma situação totalmente anormal". Lapas pediu ainda ajuda à Secretaria Estadual de Segurança Pública. 

Questionado sobre a remoção dos corpos, o prefeito disse que sete foram recolhidos na noite de quinta-feira e que as viaturas estão em prontidão para realizar o serviço nesta sexta. "A princípio, não temos problemas desse tipo", disse. 

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