'Serial killer' de Itaquaquecetuba é suspeito de matar 8 homens em 2 meses

O feirante Ronis de Oliveira Bastos agia sempre de bicicleta e já foi reconhecido como autor de pelo menos 4 mortes; escolha do alvo era aleatória

ADRIANA FERRAZ , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2011 | 03h03

Um feirante de 22 anos foi preso anteontem sob suspeita de ter matado oito pessoas em um período de dois meses na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, Ronis de Oliveira Bastos já foi reconhecido como o autor de quatro mortes, além de duas tentativas de homicídio. Os crimes aconteceram no Jardim Luciana, bairro que faz divisa com Poá. Em pelo menos metade das ocorrências, o suspeito teria agido em cima de uma bicicleta azul.

O histórico mostra que a escolha dos alvos era aleatória, com apenas uma exceção: todas as vítimas são homens, na faixa etária dos 20 aos 50 anos. Na lista há serventes de pedreiro, fiscal de loja, moradores de rua e dono de lan house. O primeiro caso ocorreu em 5 de outubro - outros nove foram registrados desde então na região.

A maioria dos mortos foi alvejada com mais de um disparo. No início da série de assassinatos, o autor usou um revólver calibre 28, que acabou sendo levado, durante confronto, por uma das vítimas que escaparam da morte. "Achamos estranho, porque é incomum alguém usar uma arma com esse calibre", disse o delegado Eduardo Queiroz, responsável pelo caso.

Depois de ter agido pela terceira vez, o matador passou a atirar com calibre 38. Segundo a polícia, apenas um dos homens foi morto a facadas - seria a segunda vítima do feirante.

Prisão. Bastos foi preso em flagrante, por porte ilegal de arma. O suspeito andava com a mesma bicicleta relatada pelas vítimas quando foi abordado por policiais na Rua Assis Chateaubriand. Ele carregava o revólver calibre 38. A arma era usada, segundo ele, para defesa pessoal. O feirante contou à polícia que estava sendo ameaçado e, por isso, precisava estar pronto para se defender.

De acordo com as investigações, no entanto, Bastos é que ameaçava os moradores do bairro. Testemunhas já haviam relatado à polícia que o suposto "serial killer" era um homem branco, jovem, baixo e com uma particularidade: só andava de bicicleta pelas ruas do Jardim Luciana.

Anteontem, com o perfil do suspeito traçado, policiais civis, com o apoio da Guarda Civil e da Polícia Militar, iniciaram o trabalho de buscas pelo bairro. No último fim de semana, dois homens foram assassinados a tiros e outro sobreviveu a uma tentativa de homicídio - foi o depoimento dele que possibilitou aos policiais chegar à descrição perfeita do feirante.

Após a prisão, Bastos forneceu à polícia um endereço falso. Segundo investigações do Setor de Homicídios da Polícia Civil, a casa apontada por ele está vazia desde que a mãe do suspeito mudou-se para o Sul do País por ter sido ameaçada de morte pelo filho. A polícia afirma que a mulher sabia dos crimes cometidos desde outubro e planejava denunciar o feirante mas, com medo de morrer, decidiu abandoná-lo em Itaquaquecetuba.

Ninja. Na casa verdadeira do suposto matador, os policiais encontraram seis cápsulas deflagradas de munição calibre 38, idênticas às usadas nos oito homicídios. Também foram apreendidas uma touca ninja e uma mochila onde a arma era escondida.

De acordo com o delegado, o suspeito não demonstra qualquer emoção quando acusado de ser um assassino em série. "Ele é muito frio, não tem fisionomia nem expressão. Não chora. Ele foi bastante cansativo durante todo o interrogatório, não é uma pessoa normal. Quando perguntei se havia matado as oito pessoas, foi simples na resposta. Apenas disse que não, sem se alongar", afirmou Queiroz.

Após a prisão, moradores do bairro tentaram linchar Bastos e precisaram ser contidos por policiais. A polícia solicitou exame residuográfico para a arma, que poderá confirmar se o feirante é o responsável pela série de mortes que ocorreram no Jardim Luciana nos últimos dois meses. Depois de prestar depoimento, ele foi encaminhado à Cadeia Pública local.

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