Será difícil eleitorado esquecer imagens do Pinheirinho

Análise: David Fleischer

É CIENTISTA POLÍTICO, PROFESSOR DA UNB, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h06

Toda vez que aparecem na imprensa imagens da polícia repreendendo a população cria-se um impacto negativo nas pessoas. E pega muito mal, especialmente em ano de eleição, tanto para o eleitorado de classe média alta quanto para o de classes D e E - que veem aquilo e pensam: "Estão batendo em gente igual a nós, estão batendo nos pobres". Se fosse a classe média, a polícia jamais agiria daquela forma. Mas até esse "dois pesos, duas medidas", politicamente, não pega bem.

Não foi uma boa decisão. Embora o Pinheirinho fique em São José dos Campos e não na capital, é certo que a oposição vai usar amplamente o caso - e as imagens da PM na comunidade - durante a corrida pelas eleições municipais. Talvez a Justiça Eleitoral não permita, mas que o PT vai querer usar, vai.

A questão é ainda mais complicada porque houve falta de consenso judicial. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem de dar cobertura à ação da PM, mas não pode desobedecer a uma ordem judicial. É uma questão especialmente delicada na situação em que o PSDB se encontra em São Paulo, lutando contra a influência que o PSD de Gilberto Kassab e o PT estão tentando ampliar no cenário paulista.

Talvez o governo de São Paulo acredite que daqui para outubro o eleitorado já tenha esquecido o Pinheirinho. Não é bem assim. Acho difícil esquecer essas imagens. Além disso, duvido que isso teria acontecido se fosse agosto ou setembro. Eles teriam "segurado" a polícia.

Somado a isso, temos outros casos de ação polêmica da PM: Marcha da Maconha e repressão na USP são algumas. Aliás, é por essas e outras que muitos no PT são radicalmente contra a aliança do partido com o PSD de Kassab: não querem ser vinculados a essas ações.

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