Sequestro no Morumbi acaba em tiros e morte

Bandidos em fuga cruzaram com ex-comandante da Rota que saía do Palácio dos Bandeirantes; um morreu e dois foram presos

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2012 | 03h02

Quatro meses e meio após passar para a reserva, o coronel Paulo Adriano Telhada se envolveu em mais um tiroteio que terminou na morte de um acusado de um crime e prisão de outros criminosos. O trio havia sequestrado uma advogada no Brooklin, na zona sul de São Paulo, e fugia pela contramão pela Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, quando cruzou com o ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

Telhada estava ali por acaso. Pouco antes, havia deixado o Palácio dos Bandeirantes, onde fora entregar um exemplar de seu livro Quartel da Luz - Mansão da Rota ao secretário de Planejamento, Júlio Semeghini.

O coronel aposentado estava com seu filho, o tenente da Rota Rafael Telhada, e um outro soldado no carro. "Foi quando nós vimos o (Volkswagen) Jetta vindo pela contramão, batendo nos carros parados", afirmou o coronel, que comandou o batalhão até novembro.

Ele contou que ouviu ao longe o som de sirene e decidiu perseguir os bandidos. De fato, quando os criminosos dominaram a advogada, na Rua Guararapes, no Brooklin, uma testemunha telefonou para o 190 e informou a placa de seu Jetta prata.

Os bandidos tinham cabelos curtos e vestiam ternos escuros. Antes de a perseguição começar, eles pararam em um caixa eletrônico do Itaú e sacaram R$ 570. Mas decidiram que queriam mais dinheiro e retiveram a advogada. Quando passavam pela Ponte do Morumbi, foram avistado por um carro do 12.º Batalhão da PM. No banco traseiro estavam um bandido, a advogada e o cachorro da vítima, um cão da raça collie. Na frente, estavam os outros dois criminosos.

Para fugir dos PMs, os bandidos entraram na contramão da Avenida Giovanni Gronchi, que estava congestionada. Bateram em pelo menos quatro carros e seguiram adiante, até o cruzamento com a Avenida Morumbi.

Tiros. Ali estava parado Telhada, seu filho e um soldado - nenhum deles fardado. "Saímos atrás e emparelhamos com os bandidos. Gritamos: Para, para, que é polícia!". Nesse momento, o carro 401 do 12.º Batalhão da PM chegou com dois policiais. Os bandidos entraram pela Avenida Morumbi e bateram o carro. Os que estavam nos bancos da frente desceram do Jetta e se jogaram no chão. Um deles tinha uma pistola de brinquedo e o outro tinha um revólver calibre 38.

O terceiro, que estava no banco traseiro, desceu em seguida. "Ele saiu atirando em meio ao carros", afirmou Telhada. "Não víamos nada dentro do carro, pois ele tinha insulfilm. Só deu para ver que havia mais duas cabeças lá dentro. Mandei descer, mas eles não saíam. Aí abri a porta e vi que era a vítima e seu cão que estavam lá", disse o coronel. A advogada passou 40 minutos em poder dos bandidos.

Enquanto Telhada e os dois PMs do 12.º Batalhão dominavam a dupla e libertavam a vítima, o filho do coronel e o soldado que o acompanhava saíram no encalço do terceiro bandido, o que saiu atirando. O acusado correu até um condomínio e tentou pular o muro. Foi quando o tenente Telhada e o soldado o cercaram. "Ali houve novo tiroteio. O ladrão estava com um revólver calibre 38 e foi baleado", disse o coronel. O acusado foi levado ao Hospital Bandeirantes, onde morreu. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai apurar o caso.

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