Seqüestro em Santo André já dura quase 80 horas

Lindembergue Alves mantém a ex-namorada presa no apartamento; vizinhos pedem libertação

José Dacauaziliquá, Jornal da Tarde

16 de outubro de 2008 | 20h44

Já são quase 80 horas que o jovem Lindembergue Alves, de 22 anos, faz a ex-namorada refém no apartamento da família dela em Santo André, no ABC paulista. Ouviu-se um barulho estranho na região, que foi confundido com o de tiros, mas não houve novos disparos feitos de dentro do prédio. Por volta das 19h40, um morador de um prédio vizinho começou a agitar um lençol branco na janela e os populares que estão nos arredores do edifício, cerca de 300, começaram a gritar "libera, libera, libera".   Veja também: Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC Amiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestro Em 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamento Jovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local   O superintendente de futebol do São Paulo e vereador eleito pelo DEM na capital paulista, Marco Aurélio Cunha, foi para o local e disse que ofereceu ajuda ao comando da Polícia Militar no local. No entanto, até o final da tarde, polícia havia descartado contato pessoal com o seqüestrador, para não criar um fato novo. De acordo com o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Eduardo José Félix, a amiga de Eloá, Nayara, de 15 anos, voltou ao apartamento para tentar negociar com Alves e não é mantida refém.     O seqüestro   O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira. Nayara, de 15 anos, foi libertada às 22h50 e os outros dois colegas que eram feitos reféns, ainda na noite de segunda-feira. Alves está armado com um revólver calibre 38 e uma pistola. O seqüestrador invadiu o imóvel porque estaria revoltado com o término do namoro. Seu objetivo era ficar sozinho com Eloá.   Para isso, convidou o irmão da menina, de 14 anos, para ir ao parque jogar bola, mas o deixou lá e voltou. Na hora em que o apartamento - no terceiro andar do bloco 24 - foi invadido, Eloá havia acabado de chegar da escola com Nayara, o namorado dela e um colega. Eles estudam na Escola Estadual José Carlos Antunes e iriam fazer um trabalho de geografia. "Ele disse que ela (Eloá) teve sorte de não estar só. Perguntou quem éramos e deu uma coronhada", contou João (nome fictício), 15 anos, um dos reféns. Para evitar contato com os familiares, tomou os celulares de todos e quebrou o modem do computador. Deu frutas, bolachas e água para eles jantarem.   A polícia soube do caso às 20h30, porque o pai de um dos garotos, estranhando a demora do filho, foi ao prédio, bateu na porta do apartamento e ouviu Nayara pedindo para ele se afastar. Ele, então, chamou a polícia. Quando a PM chegou, Lindembergue atirou duas vezes, mas ninguém foi atingido. O Gate começou a negociação por celular. O seqüestrador também conversou com familiares das jovens. O primeiro refém, João, foi solto às 21h15. "As meninas e meu amigo pediram para ele me libertar. Estava passando mal". O segundo foi libertado às 22 horas.   Na manhã de terça, Lindembergue apareceu na janela do apartamento. Durante o dia, também mostrou as garotas. Vizinhos e parentes acompanharam as negociações em frente ao prédio. Lindembergue e Eloá namoraram durante três anos. Ele desmanchava e ela reatava. Mas da última vez, ela recusou retomar o relacionamento. Os dois moram no mesmo conjunto da CDHU.   "Ele disse que só sairia de lá morto, porque para a cadeia não iria", disse o comandante do Gate, Adriano Giovaninni. A polícia desligou a luz às 17 horas de terça. Lindembergue cortou as negociações às 18h50. Às 22h10 o seqüestrador pediu que a luz fosse religada e o Gate negociou a libertação de uma refém. A luz foi religada e às 22h50 de terça, quando ele soltou Nayara.  

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