Seqüestro em Santo André completa quatro dias

Duas meninas são feitas reféns dentro de apartamento e irmão de uma delas tenta negociar fim do caso

Da Redação,

17 de outubro de 2008 | 13h30

O seqüestro em um apartamento da CDHU de Santo André já dura quatro dias. Eloá, de 15 anos, é mantida refém pelo ex-namorado desde às 13h30 da segunda-feira, 13. Lindembergue Alves, de 22 anos, faz a menina refém dentro da casa onde ela mora com os pais. Na manhã desta sexta, o irmão de Eloá, Douglas, de 14 anos, foi escolhido para negociar o fim do caso. As negociações estavam travadas desde a o fim da manhã de quinta, quando Nayara, amiga de Eloá que havia sido solta na noite de terça, voltou ao apartamento para convencer Lindembergue a soltar a amiga, mas acabou sendo feita refém de novo.  Veja também:Pai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escolaPMs entram em apartamento vizinho onde garotas são refénsVizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABCAmiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestroEm 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamentoJovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local     Após passar pouco mais de um dia em liberdade, Nayara voltou ao apartamento. Segundo a polícia, foi o rapaz quem pediu o retorno dela ao local. Outros dois jovens foram libertados na noite de segunda, horas depois de serem feito reféns.  A polícia permitiu a entrada de Nayara, com a condição de que Alves se rendesse e libertasse as meninas. Na quinta, o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, coronel Eduardo José Felix, descartou riscos para as adolescentes. "Ele (Alves) disse que não vai se matar nem matar as meninas." Segundo a PM, Alves não considera Nayara refém. "Ela pode entrar e sair quando quiser." O secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, acionou o Conselho Tutelar e pretende que a PM seja repreendida. "Mesmo que Nayara quisesse entrar, os policiais não poderiam autorizar. Se a convocaram, é mais grave ainda." Expectativa Nayara chegou às 8h50 ao prédio, no Conjunto Habitacional Jardim Santo André. Foi no momento em que Eloá apareceu na janela, na frente de Alves, que falava ao telefone. Minutos depois, Nayara, que também falava ao celular, entrou no edifício acompanhada do irmão mais novo da amiga - cuja presença também teria sido exigida por Alves - e de um negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). O irmão de Eloá ficou na escada. Nayara, então, entrou na casa da amiga. Os negociadores do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) falavam o tempo todo ao celular. Esperavam que Alves se entregasse. Uma hora depois, porém, ele não havia dado sinal de que o seqüestro chegara ao fim, e o irmão da adolescente saiu do prédio. Aldo, pai de Eloá, acompanhava tudo pela televisão e teve uma crise de hipertensão. Ele foi sedado e levado para o Centro Hospitalar Municipal. "Ele está muito abalado e não agüentou. Eles (pais de Eloá) estão há três dias sem se alimentar, só bebem suco", disse Evandir dos Santos, amigo da família. Na expectativa de que Alves libertasse as jovens, os negociadores do Gate ficaram na frente do prédio até as 10h45 de quinta. As negociações continuaram na base montada pela polícia em uma escola estadual ao lado do conjunto de prédios. O irmão de Eloá chegou a entrar no edifício de novo, subiu as escadas e pegou os dois cachorros da família. Também pegou uma mochila rosa e a entregou ao pai de Nayara, que via a movimentação na base da polícia. A família da adolescente não quis falar com a imprensa. A última movimentação no apartamento foi quando Alves prendeu uma camisa do São Paulo na janela. Não demorou para o conselheiro do clube Marco Aurélio Cunha, recém-eleito vereador pelo DEM, chegar ao local. "Vim contribuir e não ser protagonista." A polícia, porém, o proibiu de conversar com Alves.  (Camilla Haddad, Marcela Spinosa, José Dacauziliquá e Daniela do Canto, do Jornal da Tarde.)

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