Seqüestro de jovem completa três dias em Santo André

Libertada na terça, Nayara, amiga de Eloá, voltou ao apartamento nesta manhã e também é mantida refém

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

16 de outubro de 2008 | 14h27

O seqüestro de Eloá, de 15 anos, completou três dias nesta quinta-feira, 16. Ela é mantida refém pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos, dentro do apartamento onde mora com os pais, no CDHU no Jardim Santo André, em Santo André, no ABC paulista. Nayara, amiga da menina que havia sido libertada na noite de terça, voltou ao apartamento na manhã desta quinta e também é mantida refém por Lindemberg desde às 9 horas.  Veja também:Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABCEm 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamentoJovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o localO mais longo cerco da história da PM  ''Ele não suportou a perda de poder na relação''  Gate queria impedir TV de falar com invasor  No Orkut, solidariedade de estranhos e até propaganda  ''Gosta tanto dela que se desequilibrou''      Nayara voltou ao local na expectativa de negociar com Lindemberg. O jovem teria exigido a presença dela para libertar a ex-namorada. No entanto, voltou atrás e mantém as duas dentro do apartamento do 3º andar do prédio. Por volta das 12 horas, o irmão de Eloá, em companhia de um dos negociadores e do pai de Nayara, foram até a porta do apartamento. Na volta, ele trouxe uma mochila e dois cães, que são da família.  Segundo o comandante Felix, da Tropa de Choque da PM, durante negociações Lindembergue disse que não vai matar ninguém e também não pretende se matar. Desde o início do seqüestro a imprensa é mantida afastada do local. Os policiais não conversam com a imprensa e não dão informações detalhadas das negociações, que são comandadas pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM. Depois que Nayara voltou ao apartamento e houve a tentativa frustrada do fim do seqüestro, o pai de Eloá passou mal e teve que ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).  Até às 2 horas desta quinta, era possível perceber luzes do apartamento. A claridade era parecida com a de uma televisão, mas o aparelho foi desligado depois deste horário. Durante toda a madrugada, a polícia não conversou com a imprensa e aumentou a área de isolamento do prédio.  O seqüestro O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira. Nayara, de 15 anos, foi libertada às 22h50 e os outros dois colegas que eram feitos reféns, ainda na noite de segunda-feira. Alves está armado com um revólver calibre 38 e uma pistola. O seqüestrador invadiu o imóvel porque estaria revoltado com o término do namoro. Seu objetivo era ficar sozinho com Eloá.Para isso, convidou o irmão da menina, de 14 anos, para ir ao parque jogar bola, mas o deixou lá e voltou. Na hora em que o apartamento - no terceiro andar do bloco 24 - foi invadido, Eloá havia acabado de chegar da escola com Nayara, o namorado dela e um colega. Eles estudam na Escola Estadual José Carlos Antunes e iriam fazer um trabalho de geografia. "Ele disse que ela (Eloá) teve sorte de não estar só. Perguntou quem éramos e deu uma coronhada", contou João (nome fictício), 15 anos, um dos reféns. Para evitar contato com os familiares, tomou os celulares de todos e quebrou o modem do computador. Deu frutas, bolachas e água para eles jantarem.A polícia soube do caso às 20h30, porque o pai de um dos garotos, estranhando a demora do filho, foi ao prédio, bateu na porta do apartamento e ouviu Nayara pedindo para ele se afastar. Ele, então, chamou a polícia. Quando a PM chegou, Lindembergue atirou duas vezes, mas ninguém foi atingido. O Gate começou a negociação por celular. O seqüestrador também conversou com familiares das jovens. O primeiro refém, João, foi solto às 21h15. "As meninas e meu amigo pediram para ele me libertar. Estava passando mal". O segundo foi libertado às 22 horas. Na manhã de terça, Lindembergue apareceu na janela do apartamento. Durante o dia, também mostrou as garotas. Vizinhos e parentes acompanharam as negociações em frente ao prédio.Lindembergue e Eloá namoraram durante três anos. Ele desmanchava e ela reatava. Mas da última vez, ela recusou retomar o relacionamento. Os dois moram no mesmo conjunto da CDHU."Ele disse que só sairia de lá morto, porque para a cadeia não iria", disse o comandante do Gate, Adriano Giovaninni. A polícia desligou a luz às 17 horas de terça. Lindembergue cortou as negociações às 18h50. Às 22h10 o seqüestrador pediu que a luz fosse religada e o Gate negociou a libertação de uma refém. A luz foi religada e às 22h50 de terça, quando ele soltou Nayara.   

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