Sequestradores escolhiam vítimas na saída do Consulado dos EUA em SP

Quem vai ao Consulado dos Estados Unidos tem dinheiro - e se tem dinheiro pode ser roubado. Era esse o raciocínio dos três homens que sequestraram pelo menos 40 pessoas nos últimos três meses na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo. Os criminosos obrigavam as vítimas a sacar dinheiro em caixas eletrônicos e as escolhiam, principalmente, entre pessoas que deixavam a representação diplomática. Eles foram presos e reconhecidos por oito vítimas.

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

A polícia investigava a ação do grupo havia um mês. Com base nas queixas registradas, os policiais da Divisão Antissequestro (DAS) perceberam que os casos tinham uma ligação: os bandidos agiam de terno e gravata. Os investigadores procuraram nos prédios da região imagens que pudessem identificar os criminosos. No dia 4 deste mês, obtiveram uma em que dois deles caminhavam nas cercanias do consulado. Reconhecidos por uma das vítimas, a polícia passou a procurar os suspeitos.

No dia 14, os policiais localizaram os ladrões, depois que eles fizeram mais uma vítima, um comerciante de 29 anos. Ele aguardava em seu Honda Fit a namorada ser atendida no consulado. Os policiais acompanharam os acusados. Depois de soltar a vítima na Marginal do Tietê, os bandidos rumaram para o Morumbi, na zona sul. Ali deixaram o carro do comerciante na Avenida Giovanni Gronchi. Iam apanhar outro, um Citröen C3 - roubado havia um mês de outra vítima-, quando foram abordados.

Com os acusados, os policiais acharam R$ 1 mil sacados da conta do comerciante, dois celulares e um relógio. Segundo a vítima, era por volta das 10h30 quando Laerte Pinheiro Teixeira, de 21 anos, o Cabeça, e Ericsson Leandro Fernandes de Souza, de 26, abordaram-na na Rua Henri Dunant, onde fica o consulado.

Os dois obrigaram-no a entregar senha e cartão, que eles repassaram a um comparsa. Segundo a polícia, tratava-se de Marcílio Carlos de Oliveira, de 34 anos, o Boy. Este fez o saque. Enquanto isso, os outros bandidos mantinham a vítima no estacionamento de um supermercado. A DAS recuperou bens das vítimas e apreendeu um revólver 38 com os acusados. "Há muitas outras vítimas e a maioria não prestou queixa", disse o delegado Wagner Giudice, diretor da DAS. Segundo ele, os acusados só confessaram o crime pelo qual foram presos em flagrante.

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