Sequência de noites violentas tem ao menos 139 mortos a tiros na Grande SP

Seis policiais militares foram assassinados desde o dia 24 de outubro

Gustavo Villas Boas e Júlio Ettore/Especial para o Estado de S. Paulo,

10 de novembro de 2012 | 13h07

Ao menos 139 pessoas foram mortas a tiros na Grande São Paulo, de acordo com levantamento feito pelo estadão.com.br entre o dia 24 de outubro e este sábado, 10. A região vive uma sequência ininterrupta de noites violentas, com alto índice de homicídios.

O período entre a noite dos dias 8 e 9 foi, inclusive, um dos mais violentos: ao menos 15 pessoas foram mortas em 17 horas.

Entre o total de mortes desde o dia 24, estão seis policiais militares e dois agentes prisionais. A maioria estava de folga e quase metade dos casos têm características de execução, segundo o comandante-geral da PM, coronel Roberval França.

Na noite do último dia 3, uma soldado morreu após ser baleada na porta de casa, na frente da filha. Em 2012, já são 90 agentes da corporação assassinados.

Outras 25 mortes aconteceram em supostos confrontos de bandidos com a PM. A madrugada entre os dias 6 e 7 foi a que mais registrou esse tipo de caso, 5 no total.

Os 108 óbitos restantes são, em quase todos os casos, de pessoas apanhadas de surpresa em frente a estabelecimentos comerciais como bares. Parte expressiva desses ataques nas noites e madrugadas têm um aspecto comum: os assassinos estavam em motos e conseguiram fugir sem ser identificados.

Distribuição. Na Capital, foram registradas 94 mortes, sendo 35 na região mais violenta, a zona leste. Apenas na madrugada entre os dias 25 e 26, 5 pessoas foram mortas na região. A segunda área mais violenta é a zona sul, com 30 mortes. As zonas norte e oeste tiveram, respectivamente, 17 e 7 mortes. A região central registrou 5 mortes.

As outras 44 mortes aconteceram em cidades da Grande São Paulo. Em São Bernardo do Campo foi registrado o maior número de mortes fora da Capital, 8 no total, sendo 6 apenas entre as madrugadas dos dias 1º e 2 de novembro.

As cidades de Carapicuíba e Santo André registraram o segundo maior índice da Grande São Paulo, com 5 mortes cada.

Ações. O avanço da violência levou o governo do Estado a ocupar favelas e bairros considerados focos de homicídios na cidade. Na madrugada de 29 de outubro, por exemplo, a ocupação de Paraisópolis por mais de 500 PMs deu início a essas ações, batizadas pelo governo de Operação Saturação.

Paraisópolis é considerada uma das fortalezas do Primeiro Comando da Capital, o PCC. De membros da facção criminosa na área partiram ordens para a execução de policiais em São Paulo, segundo o governo estadual.

O crescimento dos assassinatos em São Paulo levou, inicialmente, a um bate-boca entre autoridades dos governos federal e estadual. A disputa foi interrompida com o anúncio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no dia 6 de novembro, da criação de uma agência de atuação integrada das polícias federal e estadual a fim de enfrentar organizações criminosas.

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