''Sempre que esse tipo de caso acontecer, o comandante vai cair''

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

Antônio Ferreira Pinto,

SECRETÁRIO DA SEGURANÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO

Os comandantes da Polícia Militar devem cuidar da disciplina da tropa, orientá-la e cobrar os atos de seus subordinados. Em entrevista ao Estado, o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, explica por que determinou o afastamento imediato dos comandantes dos policiais que espancaram e mataram o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos.

A decisão de afastar os comandantes é uma forma de cobrar os escalões de comando?

Exatamente. O oficial deve exercer o comando efetivo de sua unidade. Deve ter a tropa na mão e não ser decorativo tanto no batalhão quanto na companhia. Depois da Casa Verde (o assassinato do motoboy Eduardo dos Santos), ficou mais do que evidente que a responsabilidade deve ser compartilhada.

Afastamentos de comandantes da PM são raros. Por quê?

Porque até hoje, quando algo assim ocorria sempre se dizia: "Vamos ser rigorosos, lamentamos o ocorrido e os envolvidos serão presos." Mas não havia conscientização dos comandantes para exercer o comando real da unidade. Esse escalão não era cobrado.

Isso vai mudar?

Daqui para frente isso vai mudar. O comandante afastado vai trabalhar no âmbito administrativo. Não se trata de simples troca de cadeira. Esse tipo de caso não pode ser rotina. O comandante deve advertir a tropa, fazer uma boa preleção e mostrar de forma adequada que esse tipo de comportamento é inadmissível, pois, agindo de forma intempestiva e violenta, o policial só vai acabar com sua carreira. E, sempre que isso acontecer, o comandante da unidade vai cair. / M.G.

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