Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Semana de moda é a chance das novatas

Começa hoje o evento conhecido por lançar as 'new faces' no mercado da moda

Valéria França, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

Começa hoje a 31.ª edição da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do País. Para centenas de new faces - jovens modelos -, a semana é mais do que uma oportunidade de se firmar na carreira de modelo. Representa a chance de se destacar entre tantos rostos anônimos - em média 800 modelos desfilam por evento - e ter um indicativo de que realmente podem virar uma top.  

 

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Modelo contratada pela Ford, a pernambucana Isabella Melo, de 18 anos, é uma dessas adolescentes que provocam inveja entre as novatas. Na última edição do Fashion Rio, ela entrou na passarela por 25 das 29 marcas participantes. E ainda fez seu primeiro editorial de moda em duas revistas femininas.

"A concorrência entre as modelos é grande, mesmo nos castings das marcas, que selecionam as candidatas", diz Isabella. "Já na fila você começa a se comparar com as outras que estão ali e avalia suas reais chances de se dar bem."

Isabella chegou a acreditar que não teria chance na carreira. "O mercado dá preferência a meninas loiras de olhos azuis." Isabella é morena, tem 1,78 metro de altura e pesa 54 quilos. "Além de tudo, diziam que eu era alta demais, magra demais, principalmente nas agências que procuravam modelos para outdoors e comerciais. Era meu pai, por telefone, quem me dava força. "

A virada na carreira de Isabella só aconteceu depois do primeiro ano que desfilou na São Paulo Fashion Week e ganhou a oportunidade de participar das passarelas internacionais de Nova York, Milão e Paris. "Lá, meu biotipo foi mais valorizado."

Foi depois de desfilar para grifes como Givenchy que Isabella bombou nos desfiles do Fashion Rio. "Aprendi muito com as tops que conheci fora do Brasil. Eu era muito tímida. Tinha vergonha de usar salto alto, de aparecer. Elas são simpáticas, conquistam as pessoas. "

Primeira vez. Isabella não é a única que sonha em virar uma Gisele Bündchen. Ana Castelo e Débora Wagatsuma, ambas de 16 anos, estão ansiosas por pisar pela primeira vez nas passarelas da SPFW. As duas já participaram da Casa dos Criadores, um evento menor, que apresenta ao mercado novos estilistas.

"Essa é minha grande chance, mas ainda não sei quantos desfiles vou fazer", diz Débora, que até sexta-feira tinha apenas um desfile confirmado. Mas no Fashion Rio fez mais de seis desfiles, entre eles o da marca Totem.

Descendente de japoneses, Débora nasceu em Marília, interior de São Paulo, e está há apenas dois meses na capital. "Faço um casting atrás do outro. É tanto trabalho que não consegui ainda conhecer nada da cidade."

É a primeira vez que Débora fica longe da mãe, a dona de casa Cristina Lopes dos Santos. "Nunca pensei em ser modelo. Foi ideia da minha mãe, mas estou gostando."

Débora e Ana moram num casarão do Morumbi com outras modelos. Faz aulas de passarela e está aprendendo a se vestir, digamos, mais adequadamente à sua profissão. "Já não posso usar esmaltes supercoloridos", diz ela, que tem cem vidros no armário. "E ando sempre de preto."

Alvoroço. Apesar de serem desconhecidas do público em geral, quando essas new faces saem às ruas, causam alvoroço. "Muita gente buzina, principalmente se estamos em grupo na rua", conta Isabella. "Já me chamaram até de saco de osso. O povo gosta de mulher peituda. O engraçado é que antes eu achava que a vida de modelo era glamourosa."

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