Semana de moda do Rio começa hoje com marcas de biquíni de SP

Cidade quer ser a capital mundial da roupa de praia; Cia. Marítima e Poko Pano aderiram ao evento que vai até sábado

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2012 | 03h03

Não é de hoje que o Rio quer ser reconhecido como a capital mundial da moda praia. Com a adesão ao Fashion Rio de duas grifes egressas da São Paulo Fashion Week, Cia Marítima e Poko Pano, a candidatura se fortalece. Elas se juntam nesta edição a Lenny, Salinas, Triya e Blue Man.

Desalojada do Píer Mauá para o Jockey Club por causa da realização da conferência Rio+20, sobre desenvolvimento sustentável (e também por isso antecipada em um mês), a semana de moda carioca, de hoje a sábado, traz mais três novidades em sua programação: a Reserva foi ao SPFW, cresceu e voltou, e as estreantes Sacada e Oh, Boy! chegam às passarelas. "Antes se dizia que para ser o melhor você precisava desfilar em São Paulo. Hoje não faz tanta diferença", diz Rony Meisler, diretor criativo da Reserva.

Para as paulistanas Poko Pano e Cia Marítima, a decisão de cruzar a ponte aérea com seus maiôs e biquínis foi "natural", dada a vocação de balneário da cidade. "O grande cartão-postal do Brasil é o Rio. Era muito cômodo estar em São Paulo, mas estou convicta de que foi uma decisão certa. A concentração das grifes no Fashion Rio vai nos dar ainda mais visibilidade", acredita Paola Robba, estilista da Poko Pano.

"Precisamos trabalhar para o Rio ser o lançador de moda praia no mundo, pois é o que temos de mais genuíno", diz Benny Rosset, dono da Cia Marítima. "Desfilo em Miami há cinco anos e não dá para comparar. Lá é só negócio." Isabela Fruginele, sócia da Triya, fez a transição para o Rio há dois anos e viu incremento no interesse internacional. "Feiras em Miami e na Austrália têm destaque, mas o Rio é o Rio."

Serão 29 grifes no Fashion Rio - o mesmo número da SPFW, que será em junho. Em alusão à Rio+20, o evento carioca, que se cerca do verde do Jardim Botânico, tem como tema a integração cidade-natureza.

As marcas estão se adaptando ao novo calendário da moda proposto pelo coordenador do evento, Paulo Borges. A próxima edição de inverno será em outubro, três meses antes do que costumava ser. O objetivo é ajustar passarela e mercado já para 2013: desfile de verão em março, não em junho; de inverno em outubro, em vez de janeiro - o que significa mais tempo para a idealização e produção das coleções e também para sua distribuição. "Estava tudo errado, o trabalho ficava atropelado. Espero que a indústria também se mobilize", sugere Beti Speiski, dona da Sacada.

1.Quando o Fashion Rio vai concentrar todas as grifes de moda praia? É uma decisão delas, não pode ser imposição. Há três anos, quando comecei no Fashion Rio, já planejava isso. Água de Coco e Adriana Degreas ainda não quiseram, mas espero que venham.

2.O que você já conquistou? Não comecei nada do zero. Mas havia evasão de conteúdo, falta de interesse. Conseguimos reverter isso. Hoje, a credibilidade e a visibilidade do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week são equivalentes.

3.Qual será o impacto do novo calendário? A gente desfila em maio para a coleção estar nas lojas em agosto. Este ano é o momento do sacrifício.

4.A indústria têxtil precisa adequar-se? A indústria brasileira está esfacelada, há anos não tem capacidade de entregar o que o mercado precisa. O protecionismo que atrapalha as grifes para usar tecidos importados me entristece. / R.P.

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