Semáforos apagados travam SP logo cedo

Paulistano enfrentou 142 km de lentidão; 74 cruzamentos ficaram inoperantes

Renato Machado e Rodrigo Burgarelli, O Estadao de S.Paulo

16 Março 2010 | 00h00

Ontem a manhã foi de caos em grande parte de São Paulo. A cidade amanheceu com pelo menos 74 semáforos apagados ou piscando um amarelo constante, o que contribuiu para que o trânsito se complicasse e 142 quilômetros de vias da cidade ficassem engarrafadas no horário de pico, por volta das 9h30. Além disso, foram registradas 110 quedas de árvore, anteontem, segundo o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom).

Às 8h30, a CET registrava 24 cruzamentos com semáforos apagados por falta de energia elétrica. Equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) trabalharam no reparo, mas o quadro se manteve até o meio da tarde em algumas regiões, como na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais corredores da zona sul.

Ontem, perto do meio-dia, ainda era possível ver faróis apagados na Faria Lima, além da Avenida Rebouças e da Sumaré. Agentes da CET organizavam o cruzamento dos veículos, mas ainda assim o trânsito era confuso. "Isso aqui está uma bagunça, está assim desde de manhã", disse o segurança de um prédio próximo da esquina da Rua Antônio Rosa com Rebouças, onde o semáforo não funcionava.

Falhas. Os problemas com os semáforos já são rotineiros durante temporais em São Paulo, uma vez que 20% dos 6 mil cruzamentos com semáforos têm equipamentos não interligados à central da CET, por serem mais antigos. A consequência é que as falhas só são detectadas quando um agente passa pelo local ou após algum usuário comunicar. Apenas 15% dos equipamentos funcionam em tempo real.

Por meio de nota, a CET informou que dispõe de equipes próprias e terceirizadas para os consertos, divididas em três turnos de trabalho. "Num dia normal, trabalham aproximadamente 40 equipes de manutenção semafórica. Em situações de forte chuva, como a de domingo, esse número sobe para 50 equipes."

O trânsito somente começou a melhorar no início da tarde. No pico da noite, a situação estava praticamente normal.

Energia. A demora no estabelecimento de energia, porém, fez com que várias áreas das zonas sul e oeste continuassem sem luz durante toda a tarde de ontem. No câmpus da PUC em Perdizes, zona oeste, as aulas foram canceladas em todos os turnos por causa da falta de energia.

Comerciantes e empresários tiveram prejuízos com a situação. Exupério Silva Neto, proprietário de um restaurante na Avenida Henrique Schaumann, foi um deles. A luz acabou no seu estabelecimento por volta de 12h30 de domingo, após uma árvore cair sobre a fiação elétrica, e a energia só foi restabelecida ontem, por volta das 8 horas. Ele estima ter perdido cerca de mil hambúrgueres, 75 quilos de sorvete e mais de R$ 10 mil em faturamento, uma vez que o restaurante ficou fechado no domingo.

Árvores. Nos primeiros meses deste ano, pelo menos cinco árvores caíram em ruas de São Paulo, em média, por dia. Segundo a Defesa Civil, foram registradas 497 quedas nos últimos três meses na cidade.

Árvores secas e com pragas são mais suscetíveis, segundo o coordenador de Áreas Verdes da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, André Graziano. Árvores mais antigas, em bairros como Lapa, Jardins, Butantã e Sé, também correm mais riscos.

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