Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Sem vagas, Cumbica barra motos

Motociclistas têm de estacionar em terminal de cargas e andar 1 quilômetro até setor de passageiros; seguro não cobriria roubos

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

21 Março 2011 | 00h00

Se os motoristas de automóveis convencionais reclamam por não encontrar uma vaga entre as 2.948 do estacionamento do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, a vida de quem anda de moto é ainda pior. O estacionamento do terminal de passageiros não tem vagas para motoqueiros, que precisam estacionar no terminal de cargas, a até 1 quilômetro do aeroporto.

Ao Estado, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) afirmou que há três opções de estacionamento para motos para quem vai ao aeroporto: 150 vagas "ao lado do estacionamento principal", 35 no terminal de cargas e 33 no "bolsão 3 do estacionamento".

Mas quem tenta entrar de moto pelo estacionamento convencional é logo informado pelos seguranças para dar meia-volta. "Tem de pegar a rodovia, fazer o retorno e entrar pelo terminal de cargas", orienta um deles. O problema é que para ir a pé do setor de cargas para o aeroporto propriamente dito é preciso andar entre 500 metros e 1 quilômetro, dependendo do terminal. E tudo isso pela quase inexistente calçada da pista expressa que leva até o desembarque.

Para não precisar ir tão longe, os motoqueiros - gente que vai embarcar com poucos pertences ou trabalhadores do aeroporto - dão um jeito de parar nas redondezas.

Muitos escolhem a grama do estacionamento principal, quando não são barrados pelos seguranças na entrada. Outros preferem um "puxadinho" de motos próximo do portão de desembarque do aeroporto, onde não há segurança e muito menos espaço para todo mundo.

"Semana passada, tive de deixar a moto em casa e ir de carro para Cumbica, porque não teria como estacionar. Isso me custou uma hora e meia a mais no trânsito", conta o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas, Lucas Pimentel.

Para ele, isso é resquício do preconceito generalizado contra motoqueiros. "Acho que falta visão por parte de grandes estabelecimentos que acham que o público de moto é apenas o motoboy. Não é. Metade dos motociclistas usa moto por hobby ou como meio de locomoção."

Sem seguro. Um dos motivos apurados pelo Estado para a inexistência de vagas para motocicletas é que o seguro não cobriria o roubo de motos no local. A mesma justificativa é dada por dois estacionamentos vizinhos a Cumbica, que só aceitam quem chega de carro.

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