Sem-teto reclamam de infraestrutura de abrigos

Moradores retirados do Pinheirinho se queixam de lama, sujeira e conflitos constantes com policiais militares

O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h06

O desânimo tomou conta dos moradores que foram desalojados após o processo de reintegração de posse do Pinheirinho. Cansados, abatidos e abrigados em uma escola, um ginásio e uma igreja da região, eles se mostram inconformados com a determinação judicial.

Boa parte dos moradores tinha inscrição em programas habitacionais da prefeitura de São José dos Campos. É o caso da aposentada Luiza de Souza, de 77 anos, que carrega cadastro feito em 31 de outubro de 2003, ainda não atendido. Anteontem, ao sair da comunidade em cadeira de rodas, quase foi atingida por bomba. "Fui morar ali porque não consegui pagar o aluguel. Quero um lugar para morar."

O açougueiro Cristian Roberto dos Santos, de 34 anos, e a mulher, a dona de casa Tatiana dos Santos, também de 34, lamentavam o desconforto a que as gêmeas Maria Clara e Maria Laura foram submetidas no dia em que completam 5 anos de idade. "A gente acreditava que seria um dia diferente, feliz. Agora estamos aqui, cheios de incertezas", disse ele. Esperam por atendimento habitacional desde 2002.

Os sem-teto reclamam das condições das tendas. "Não há condições de permanecer aqui. É muita lama. Eu dormi na casa de minha mãe, onde já estão três famílias", disse Elizabete de Vasconcelos, de 31 anos.

Nem na igreja onde há moradores há conforto mínimo e paz. Durante a ação para conter um tumulto, policiais lançaram bombas ao redor do prédio e o gás atingiu quem estava no local, até mesmo crianças.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Social, João Francisco Sawaya de Lima - que teve o carro oficial apedrejado no domingo -, o local onde as famílias foram abrigadas não são apropriados, mas a situação é emergencial. "É um abrigo provisório. Sendo necessário, faremos intervenções de melhoria."

Ontem, a PM deu apoio também à remoção dos bens que ficaram nas casas do Pinheirinho. O trabalho deve demorar pelo menos mais um dia. / W.C. e J.C.F.

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