Sem-teto protestam em repúdio a moradores de prédio vizinho em SP

Sem-teto protestam em repúdio a moradores de prédio vizinho em SP

Manifestantes fizeram barricadas e interromperam completamente o trânsito na Avenida Giovanni Gronchi

Monica Reolom, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 19h26

Atualizada às 20h44

SÃO PAULO - Sem-teto da ocupação Chico Mendes, no Morumbi, fizeram, na noite desta quinta-feira, 18, um protesto que reuniu cerca de mil pessoas e causou bloqueio com barricadas na avenida Giovanni Gronchi por uma hora. O ato, segundo o coordenador Josué Rocha, era em repúdio aos moradores dos prédios vizinhos da ocupação, que atiram pedras, bombas e restos de comida na direção das barracas. 

"Desde que entramos aqui, incomodamos muita gente, principalmente a elite ao lado. Não querem que o povo more nessa terra e faça luta por moradia digna. Mas o telhado deles é de vidro e sabemos que o condomínio foi construído em cima de uma área destinada à moradia popular", disse ele. A Prefeitura afirmou que o terreno dos prédios não é Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e que as construções são regulares.


Às 18h45, o grupo contornou o cemitério Gethsamani em direção à Giovanni Gronchi. Durante o trajeto, os sem teto entoavam músicas do movimento e soltavam rojões. Eles carregavam uma faixa que dizia: "O Morumbi não é só para a elite morar". Na avenida, na altura no número 3.000, alguns manifestantes juntaram pneus e pedaços de madeira e tocaram fogo, bloqueando totalmente os dois sentidos. A polícia, que não acompanhou o ato, chegou com duas viaturas e ficou orientando os carros a seguirem para outra direção. Por volta das 19h40, o grupo encerrou o ato e retornou ao terreno da ocupação. A força tática e os bombeiros chegaram em seguida.

Uma das coordenadoras do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Norma Moreira, de 35 anos, prometeu mais ações se a Prefeitura não destinar o terreno à moradia. "Com esse protesto , também estamos fazendo uma pressão na prefeitura, que entrou hoje com pedido no Ministério Público para a reintegração de posse. Se não houver acordo, vamos mostrar que não estamos aqui para perder. Vamos reunir mais gente e fazer mais manifestações", explicou.

A prefeitura disse que o terreno é municipal, mas não confirmou se foi pedida a reintegração de posse. Ela afirmou que a área é pública de proteção ambiental permanente (APP), próxima ao córrego Colombo. Segundo a Defesa Civil, há elevado grau de risco às cerca de 150 famílias que hoje ocupam a região. A liderança da ocupação foi orientada a retirar as famílias do local imediatamente, sob risco iminente. As famílias podem procurar os serviços da Assistência Social, como abrigo e cadastro em programas sociais, no CRAS Butantã. 




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