Sem-teto protestam contra Haddad, que faz discurso entre os manifestantes

Grupos que lutam por moradias não querem dialogar com representante municipal; prefeito subiu em carro de som e discursou

Artur Rodrigues, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2013 | 09h53

Depois de enfrentar um protesto com cerca de 2 mil sem-teto, que tomaram nesta manhã de quarta-feira, dia 17, o Viaduto do Chá, na região central, onde fica a sede da Prefeitura de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) desceu de seu gabinete, no quinto andar do prédio, e foi até os manifestantes, na rua, pouco antes das 12h. Ele subiu até o carro de som e transformou o protesto em um comício.

"Quero reiterar o compromisso de construir 55 mil moradias populares", afirmou Haddad ao microfone.

Vários grupos do movimento prometiam fazer o maior protesto enfrentado até hoje pela gestão do petista. Eles tinham a intenção de reunir 10 mil pessoas.

Mais cedo, o prédio da Prefeitura foi isolado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), com a colocação de barreiras feitas com caveletes de aço. Os sem-teto se haviam reunido na Praça da Sé, no centro, e no Terminal Barra Funda, na zona oeste, antes de seguirem até o Edifício Matarazzo, sede do Executivo Municipal. Às 9h, Haddad havia dito que é natural a ansiedade do movimento de moradia. No entanto, afirmou que não é de "bom tom" que os sem-teto queiram escolher as pessoas responsáveis pela negociação por parte da Prefeitura.

Os líderes do movimento se recusam a negociar com o secretário de Habitação, José Floriano de Azevedo Marques Neto, do Partido Progressista, o mesmo de Paulo Maluf, e com um interlocutor escolhido pela pasta. "Não é de bom tom você escolher o interlocutor. Da mesma forma que a Prefeitura não pode escolher com quem conversa", disse. "Se a pessoa se recusa a dialogar, o diálogo se torna impossível", acrescentou o prefeito.

Ele afirma que não se pode escolher com quem negociar porque se trata de uma questão "suprapartidária". "No episódio do Pinheirinho 2 (reintegração de posse feita pela Polícia Militar em março na zona leste da cidade), nós demos um tratamento completamente diferente do que vinha sendo dado até aquele momento", disse.

Ele afirmou entender as demandas do movimento. "São muitos anos sem produção de moradia. O movimento está ansioso. Vamos conviver com isso porque não se constrói moradia do dia para a noite."

"As moradias estão mapeadas e nos próximos dias nós vamos anunciar nosso plano de ação", disse Haddad. Ele afirma que para cumprir a promessa de construir 55 mil unidades é necessário "mirar" um número maior. "Temos cerca de 90 mil moradias mapeadas."

Por volta das 10h, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomendou aos motoristas evitarem circular pela região central, devido à manifestação. Às 11h, ônibus não estavam circulando no Viaduto do Chá, segundo a SPtrans.

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