Sem-teto ocupam frente da Câmara Municipal após votação de Plano Diretor ser adiada

Barracas de lona foram montadas na calçada, com colchões, cobertores e cozinha comunitária; expectativa é de que projeto seja levado em plenário ainda esta semana

Adriana Ferraz e Barbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2014 | 20h50

SÃO PAULO - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) sitiaram nesta terça-feira, 24, a Câmara Municipal de São Paulo, após os vereadores adiarem pela 18.ª vez a votação do novo Plano Diretor. Barracas de lona foram montadas na frente do prédio, com colchões, cobertores e cozinha comunitária. O grupo promete ficar no Viaduto Jacareí até que o texto, que beneficia quatro de suas ocupações, seja aprovado, o que pode acontecer até sexta-feira.

Nesta terça, porém, não houve quórum suficiente nem para iniciar os debates. Oficialmente, representantes da oposição e de partidos da base aliada do prefeito Fernando Haddad (PT), como o PMDB e o DEM, se negaram a discutir o plano em “solidariedade” a José Police Neto (PSD), que foi diretamente atacado pelo grupo. 

Outros embaraços políticos ainda não resolvidos dificultaram o avanço do tema, como a inclusão de emendas apresentadas pelos vereadores no texto final e a própria pressão do movimento, que também reivindica a regularização da Copa do Povo, em Itaquera, zona leste.

Para complicar ainda mais o clima, o líder da oposição, Floriano Pesaro (PSDB), indicou que alguns petistas, como o relator do plano, Nabil Bonduki, integram a coordenação do MTST. “As ligações estão cada vez mais evidentes. O que falta é transparência, ao mesmo tempo em que sobra violência, truculência e ameaças”, disse. 

Bonduki afirmou que atua na área há mais de 30 anos, mas que não tem nenhuma relação com o MTST. “O Plano Diretor vai beneficiar toda a cidade e, por isso, também quem precisa de moradia.” O projeto reorganiza o crescimento por 16 anos.

Protesto. Do lado de fora, milhares de pessoas interditaram as duas faixas do viaduto durante protesto que começou às 15h e se estendeu até o início da noite - 9 mil, segundo o MTST, e 1 mil, de acordo com a Polícia Militar. Coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos convocou seus associados a permanecer no local até que o Plano Diretor e a Ocupação Copa do Povo sejam aprovados pelos vereadores. 

“Só neste ano viemos protestar ao menos seis vezes aqui. Já que eles não querem deixar que a gente tenha casa, a nossa casa vai ser aqui”, afirmou. Grávida de 8 meses, Josilene da Silva, de 31 anos, foi preparada para ficar. Acompanhada dos dois filhos de 9 e 12 anos, e do marido, levou água e cobertores. "Queremos uma resposta concreta, sair daqui com a nossa casa", disse Josilene, que participa da Copa do Povo.

Diante do descontentamento dos vereadores, que não aceitam a pressão feita pelo movimento, o presidente da Casa, José Américo (PT), recebeu uma comitiva de coordenadores do MTST para negociar uma possível data de votação e também uma espécie de recuo, com direito a pedido de desculpas. A expectativa agora é que a proposta seja levada em plenário ainda nesta semana.

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