Sem-teto ocupam a entrada de construtora em Pinheiros

Diálogo com a empresa sobre a ocupação Portal do Povo, no Morumbi, não teve resultado e os manifestantes decidiram dormir no local

Caio do Valle, Luiz Fernando Toledo e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

16 Julho 2014 | 15h39

Atualizada às 21h40

SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realizou nesta quarta-feira, 16, um conjunto de protestos em São Paulo por melhorias na telefonia móvel na periferia de São Paulo e para evitar o processo de reintegração de posse de um terreno ocupado por cerca de 2 mil famílias no Morumbi, zona sul. As ações foram pacíficas e a Polícia Militar acompanhou todos os atos sem intervenções.

Pela manhã, militantes ocuparam regionais das empresas Tim e Claro, além da sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Outro grupo foi até a Avenida Doutor Cardoso de Melo, onde fica a empresa Oi, e para a frente da Vivo, na Avenida Roque Petroni Júnior. 

O MTST argumenta que o retorno das operadoras é precário, apesar de a tarifa no País ser a mais alta do mundo. A exigência era por investimentos no setor e melhora do serviço, além da “reestatização” do sistema Telebrás, privatizado em 1998. “Coincidentemente, o acesso à telefonia funciona mal ou não existe onde moram os sem-teto e quem não tem dinheiro”, afirmou a coordenadora estadual do MTST Natália Szermeta.

 

Foi a primeira vez que o MTST realizou um ato por telefonia. O coordenador regional do movimento, Joel de Oliveira, diz que a pauta principal continua sendo moradia. “Mas ninguém mora sem saúde, educação e outros itens.”

O primeiro protesto teve início às 5h15 na Estrada do M’Boi Mirim, com cerca de 800 pessoas que bloquearam todas as faixas no sentido centro. Eles só deixaram o local às 7 horas. Uma hora depois, 700 chegaram ao Largo da Batata, em Pinheiros, e seguiram pelas Avenidas Brigadeiro Faria Lima, Juscelino Kubitschek e Luís Carlos Berrini, causando lentidão no trânsito. O grupo chegou às 9 horas na frente do prédio da empresa Oi, na Avenida Cardoso de Melo, Itaim-Bibi. 

No mesmo horário, um grupo de mil manifestantes que estavam na Estação Vila Mariana do Metrô, zona sul, se deslocou até a Rua Vergueiro, para invadir a sede da Anatel. Na sede da Tim, na Avenida Giovanni Gronchi, 400 militantes ocuparam o pátio da empresa. Na Rua Flórida, outro grupo de 180 pessoas arrombou o portão e invadiu a empresa Claro. Os protestos nas empresas de telefonia terminaram às 11h30. 

Em nota, a TIM afirmou que “avaliará as reivindicações”. Já a Anatel disse que “serão realizadas fiscalizações nas localidades indicadas”. O sindicato das empresas (SindiTelebrasil) alegou que “as operadoras têm investido na melhoria da qualidade, expansão dos serviços e redução de preços e tarifas”.

Portal do Povo e Even. Às 13h30, cerca de 500 moradores do Portal do Povo, ocupação do MTST no Morumbi, montaram um acampamento na entrada da construtora Even, em Pinheiros. É a segunda vez que o grupo vai ao local para evitar que a empresa, proprietária do terreno, consiga reintegração de posse na Justiça. Eles levaram barracas, colchões e até um fogão. 

No início da noite, os integrantes da ocupação decidiram acampar por tempo indeterminado na frente do prédio. Natália Szermeta afirmou, após reunião com uma comissão da Even, que a construtora foi irredutível e não aceitou negociar com o movimento. “Nós colocamos que as famílias são trabalhadoras e não querem construir favelas. Mas eles se negaram a negociar”, disse ela. Segundo a PM, havia mil pessoas no local as 19 horas. 

A Even, em nota, afirmou que teve a sede “violentamente invadida” pelo MTST, “provocando tensão nos colaboradores”, que foram dispensados. Segundo a construtora, a liminar de reintegração de posse já foi expedida. 

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