Sem-teto ocupam 12 imóveis em São Paulo

Coordenação mobilizou cerca de 2 mil pessoas para invadir edifícios; manifestantes exigem conversão de 53 prédios em moradia popular

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h05

Integrantes da Frente de Luta por Moradia (FLM) ocuparam na noite de domingo, horas após a eleição do novo prefeito, 12 imóveis vazios no centro da cidade de São Paulo. A intenção foi pressionar o poder público a retomar as negociações e transformar 53 prédios em moradias populares.

Dos locais invadidos, dez ficam no centro da capital, um na zona sul e outro é uma escola na zona norte. "Esses imóveis já estavam na lista dos 53 em estudo e em negociação com a Prefeitura", justificou o coordenador-geral da FLM, Osmar Borges.

O movimento deve pressionar o futuro prefeito, Fernando Haddad (PT), que incluiu em seu plano de governo a construção de 55 mil moradias populares. Questionados, os coordenadores do movimento evitaram relacionar diretamente a invasão no domingo de segundo turno a motivações políticas. "Não fizemos com esse objetivo, a data tem a ver com nossas necessidades reais. Mas realmente este fato serve para pautar o problema e apresentar um novo desafio para o próximo prefeito", disse Borges.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), quatro edifícios ocupados fazem parte do programa Renova Centro, destinado à criação de moradias populares na região central da capital. Entre eles estão um prédio conveniado à Universidade de São Paulo (USP), na Rua José Bonifácio, e o Edifício Hotel Lord, que fica na travessa das Ruas Helvetia e das Palmeiras.

A Prefeitura informou que estuda caso a caso a situação e ressaltou que há pendências judiciais em relação a alguns imóveis, como o Palace Lord.

Ele já foi um luxuoso espaço de hotelaria no centro e, mesmo após ser fechado, abrigou exposições nos anos 1990. Ao lado do antigo Cambridge, na Praça da República, deve agora ceder quartos a moradias populares. O Lord está em fase final de aprovação de projeto, só aguardando licenciamento ambiental para licitação da obra. "O prédio tem todas as condições para as famílias morarem e o governo nunca chamou o movimento para discutir aquele imóvel", defendeu Borges.

Ocupantes. Coordenadores do movimento popular informaram também que cerca de 2 mil pessoas se espalharam ontem pelos imóveis ocupados no início da madrugada. "São pessoas que não têm mais condição de pagar o aluguel ou moravam de favor. Ninguém quer morar de graça, a gente quer pagar, mas dentro das nossas possibilidades", ressaltou outra coordenadora, Carmen Ferreira.

As 368 famílias que seguiram para o Hotel Lord, por exemplo, se acomodaram nas 170 suítes. A dona de casa Renata Dias, de 23 anos, percorreu ontem o corredor do 4.º andar para mostrar a "casa" para o marido, o motoboy Flávio Barbosa, de 27. Já o desempregado José Martins Silveira, de 50, estava guardando lugar para a mulher e os dois filhos.

Reintegração. Na tarde de ontem, o terreno de uma antiga fábrica na zona sul já havia sofrido reintegração de posse. Segundo a coordenadora do movimento local, Felícia Dias, os policiais responsáveis pelo cumprimento do mandado de reintegração agiram de forma truculenta. "Eles atiraram bala de borracha, bombas de gás e bateram em várias pessoas com cassetete, até mesmo em mim", relatou.

Procurada, a Polícia Militar de São Paulo informou que foi acionada só para atendimento de uma ocorrência de invasão de domicílio. Ressaltou também "que não houve nenhum confronto".

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