Sem-teto ocupam 12 imóveis ao mesmo tempo no centro

Coordenadores do movimento informaram que cerca de 2 mil pessoas participaram de protesto em São Paulo

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h08

Integrantes da Frente de Luta por Moradia(FLM) ocuparam 12 imóveis na cidade de São Paulo na noite de domingo. Dez ficam no centro da capital, um na zona sul e outro é uma escola na zona norte. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), quatro edifícios invadidos fazem parte do programa Renova Centro, destinado à criação de moradias populares na região central da capital.

Eles ficam na Rua José Bonifácio, 137 (conveniado à Universidade de São Paulo para criação de moradias estudantis); Avenida Ipiranga, 879 (edifício com Decreto de Interesse Social); Avenida São João, 251 (Decreto de Interesse Social e ação judicial de desapropriação proposta); e Edifício Hotel Lord, na travessa da Rua das Palmeiras com a Rua Helvétia (em fase final de aprovação de projeto, aguardando licenciamento ambiental para licitação da obra).

Os outros imóveis ocupados da região central ficam na Rua José Bonifácio, 135; Av. Prestes Maia, 576 / 578; Rua Quintino Bocaiuva, 242; Alameda Cleveland, 195; Rua Helvétia, 55 e Av. São João, 288. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Clóvis Graciano, na Vila Nova Cachoeirinha, e um terreno na altura do número n.º 9.999 da Estrada de Itapecerica da Serra, na zona sul, são os outros imóveis invadidos.

Coordenadores do movimento informaram que cerca de 2 mil pessoas se espalharam pelos imóveis. "Todos moravam aqui em São Paulo, mas não tinham mais condição de pagar o aluguel ou moravam de favor. Ninguém quer morar de graça, a gente quer pagar, mas dentro das nossas possibilidades", disse uma das coordenadoras, Carmen Ferreira.

Reintegração. Na tarde de ontem, o terreno da zona sul já havia tido sua posse reintegrada por policiais militares. "Eles agiram de forma truculenta, inclusive com bombas de gás", relatou o coordenador-geral da FLM, Osmar Borges.

Já as 368 famílias que ocuparam o prédio do antigo Hotel Lord estavam se acomodando nas 170 suítes. A dona de casa Renata Dias, de 23 anos, percorria o corredor do quarto andar mostrando a nova casa para o marido, o motoboy Flávio Barbosa, de 27. O desempregado José Martins Silveira, de 50, estava guardando lugar para a mulher e os dois filhos.

Reforma. A Sehab disse que a Prefeitura desenvolve o maior programa de reforma de prédios para fins habitacionais no País. Dos edifícios invadidos, ainda segundo a Sehab, apenas o Hotel Lord é da Companhia de Habitação (Cohab), que trata a questão judicialmente.

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