ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Sem-teto invadem área de complexo cultural na região da Luz

Local fica na cracolândia, região central de SP; decisão da Justiça de considerar nulo contrato com escritório suíço não impede obra

Bruno Ribeiro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 22h46

Um grupo de pelo menos 200 sem-teto da Frente de Luta por Moradia (FLM) invadiu nesta segunda-feira, 26, o terreno que abrigaria o Complexo Cultural da Luz, na cracolândia, no centro de São Paulo. Eles deixaram o local após uma reunião com representantes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), ligada ao governo do Estado paulista. 

O grupo chegou durante a madrugada e montou barracas coletivas. Segundo lideranças comunitárias da região, reivindicaram celeridade na liberação de moradias populares na zona sul. A assembleia que decidiu pela retirada do terreno foi realizada antes do anoitecer.

A ocupação aconteceu um mês depois de a Justiça questionar o processo que terminou com a contratação, por R$ 45 milhões, do renomado escritório de arquitetura suíço Herzog & De Meunon - famoso por obras como o Estádio Nacional de Pequim, o “ninho de pássaro” - para o projeto do Complexo, que ocuparia 100 mil m² entre as Alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba, onde fica o chamado “fluxo” dos dependentes de crack, e se transformaria em um centro de dança e teatro do Estado, a um custo estimado de até R$ 600 milhões.

A contratação do escritório suíço foi feita em 2008 sem licitação pública, com a justificativa de “notório saber” do contratado. A falta de licitação é o ponto central do questionamento da Justiça, que declarou o processo nulo.

A declaração, entretanto, ainda está pendente de recurso e não suspendeu o processo. Segundo a Secretaria Estadual da Cultura, a obra está paralisada porque a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) “está buscando sua implementação por meio de Parceria Público-Privada (PPP)”.

Descampado. A obra era uma das apostas do Estado para enfrentar a degradação da cracolândia. Sua suspensão, porém, deixou um enorme descampado na cracolândia, o que é criticado por moradores da região. 

Na manhã desta segunda, em agenda pública na Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste, ao ser informado do caso, o governador foi orientado por assessores a destacar que a invasão não se justificava e “não era tolerável”. 

Alckmin também disse que as 3.683 moradias populares que o governo do Estado está fazendo, por meio de PPP, são justamente no centro da cidade e que o Estado tem “interesse” em construir habitações de interesse social na região. Mas nenhum repórter fez perguntas sobre o assunto ao governador.


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