DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Sem-teto invade antigo hospital em Pinheiros

Prédio de dez andares foi ocupado sábado: governo deve pedir reintegração de posse

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 03h00

Um grupo de sem-teto ocupou o prédio do antigo Hospital Panamericano, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, no fim de semana. O espigão de dez andares, que se destaca na paisagem do bairro, dominada por casas térreas de classe média, estava vazio desde 2011 e é de propriedade da Secretaria de Estado da Saúde.

Líderes da União dos Sem-Teto (UST), movimento que organizou a invasão, diz que cerca de 200 pessoas entraram no prédio nas primeiras horas do sábado. “Agora (na tarde desta segunda-feira), tem umas 50 pessoas”, disse um dos integrantes do grupo, que se identificou apenas como Adílio. O rapaz contou ainda que, no decorrer desta terça-feira, o número de pessoas no prédio deve aumentar. “Amanhã (terça-feira), vai acontecer uma reintegração de posse na Rua Venceslau Brás, na Sé, e as pessoas não vão ter para onde ir. Então, estamos organizando para que venham para cá”, afirmou.

Três equipes da Polícia Militar circulavam pelas imediações do prédio na tarde desta segunda. Um dos soldados disse que as ordens são para impedir que outras pessoas entrem no local ou que tragam móveis e objetos. Mas, ainda durante a tarde, os ocupantes conseguiram passar uma televisão para dentro do complexo sem muito esforço: bastou chamar a atenção dos PMs para uma das portarias e trazer a TV pela outra.

Lotação. Por fora, quem vê o prédio não reconhece uma invasão ali com facilidade. Não há bandeiras do movimento que organizou a entrada dos moradores nem gente na porta.

“Mas está lotado, estão espalhados por todos os andares”, disse o vigilante Orlando Cérvolo Cavalcante, de 65 anos, há 18 como vigia da rua do hospital. Proprietário da chave de um dos portões do complexo, ele estava acostumado a estacionar no hospital e usar o banheiro, o que lhe garantiu acesso à invasão. “O prédio tem poço artesiano, não está sem água. E está bem conservado por dentro. Só do 5.º andar em diante que tem cupim”, relatou o vigilante. 

Moradores do bairro, que falaram sob condição de anonimato, disseram estar apreensivos com a situação, mas não estão com medo. “Só soube da invasão por causa do telefonema de uma amiga. Não tinha visto ninguém até ontem (domingo). À tarde, umas dez crianças ficaram correndo aqui na frente, do lado de dentro do portão, arrastando carrinhos e fazendo muito barulho. Chamou a atenção porque o bairro é muito tranquilo, não costuma ter baderna”, disse uma moradora vizinha do prédio do hospital.

Reintegração. Até ontem, a Secretaria de Estado da Saúde não havia feito pedido de reintegração de posse à Justiça. Em nota oficial, informou que faria o pedido, mas não definiu data.

O hospital foi comprado do grupo Sancil, em 2011, por R$ 37,2 milhões. A promessa da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) é fazer ali um centro especializado em traumas - a proposta está na fase de elaboração de projeto arquitetônico e prevê mais R$ 80 milhões em gastos com obras, também sem prazo de conclusão.


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